O mágico

Tive a oportunidade de assistir ontem na 34a Mostra de Cinema de São Paulo ao fabuloso O Mágico (L´illusionniste), a nova animação de Sylvain Chomet, o  criador de As Bicicletas de Belleville.

A história é sobre um microcosmo decadente de uma profissão já quase abandonada. O mágico  francês vê sua arte dando lugar à cultura pop, representada por bandas de rock e cantoras de cabaret.

O filme conta história do mágico que viaja até ao interior da Escócia para fazer uma apresentação. No vilarejo, uma simples empregada se encanta pelos “truques” do mágico e resolve partir com ela para Edimburgo, onde vive.

Em Edimburgo, a pobre mocinha interiorana se fascina pela vida capitalista da cidade grande. E o mágico, coitado, tem que fazer mágica, literalmente, para agradar aos caprichos dela, pois em sua inocência, tudo o que o mágico lhe provia era realmente mágico.

Como a profissão de mágico está cada vez mais decadente, o que ele pode fazer? Então, vê-se dividido em tentar manter a carreira pela qual é apaixonado ou poder manter uma casa.

Paralelo à história do mágico e da moça temos outras criaturas também decadentes. Uma família de trapezistas formada por três irmãos, um palhaço beberrão à beira do suicídio e um velho ventríloquo.

É nesse clima quase caricato que Chome leva a história à frente as difíceis relações humanas e suas vicissitudes.  Há também a crítica à sociedade de consumo e a  publicidade. Tudo muito sutil nesse filme quase mudo, Chome faz um belo retrato dos nossos dias usando como pano de fundo a Escócia dos anos 60.

Será que os mágicos existem ou são somente ilusões?

Vale a pena.

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Cópia melhor que o original

Nem sempre o original é melhor que a cópia, concordam?!

No nosso mundo globalizado, o avanço tecnológico aterroriza a maioria das empresas, uma vez que projetos podem ser surrupiados em instantes. Mas, não é de tecnologia que vou falar aqui, e sim, de música.

Se você digitar: “Don’t stop the music” no YouTube verá que o primeiro vídeo é do mega hit da cantora Rihanna, vídeo que passa dos 125 milhões de acessos. Essa é a original.

Na cola, vem Jamie Cullum, jazzista que criou uma pérola do diamante bruto que a Rihanna produziu.  Alias, o último álbum dele “The Pursuit” é excelente. Se ele estava buscando alguma coisa, com certeza encontrou.

Resumindo: Nem sempre o original é melhor que a cópia!

Apenas o fim

Talvez eu tenha perdido o bonde do lançamento do filme na 32 Mostra de Cinema de São Paulo, onde faturou o prêmio de melhor filme eleito pelo juri popular, ou mesmo as exibições em alguns cinemas da cidade, porém um filme deste naipe é digno de post. E como é.

O filme foi escrito e dirigido por Matheus Souza que na época, 2008, tinha 20 anos e era estudante de cinema da PUC-RJ.

A película narra uma hora na vida dos namorados Tom (Gregório Duvivier) e Adriana (Érika Mader) estudantes de cinema da PUC-RJ. O filme se passa na própria PUC onde Adriana encontra Tom para se despedir. Adriana está decida a largar tudo: namorado, pais, amigos, faculdade para recomeçar a vida em um outro lugar. O namorado tenta entender o porquê da fuga da garota que diz que eles tem somente uma hora para estarem juntos antes dela ir embora.

Os dois começam um passeio pelo campus onde vão revivendo os momentos marcantes que passaram juntos, sobre os sonhos que tinham. E assim é o filme. Um grande diálogo entre as duas personagens.

Bem, se você está achando que isso não é suficiente para se fazer um grande filme, você mudará seu conceito. Os diálogos são o ponto forte do filme.  É comédia pura. E o melhor, da refinada. Grande parte das conversas são um grande mergulho na cultura pop mundial e nacional em que todos estamos inseridos e que muitas vezes nem damos muito atenção. Quem nunca se pegou discutindo sobre qual filme, música ou livro é o favorito da outra outra pessoa? Ou sobre mãos quentes X pés gelados. Ou sobre usar camisetas de Star Wars e óculos do avô?

Quem nunca discutiu se Transformers é o melhor filme do mundo? Melhor até que todos os Godard juntos?! Ou se Cortazar é melhor que Paulo Coelho? Ou por que todas as mulheres acham Chico ou Johnny Depp os homens mais bonitos do mundo? Ou se se falar de amor é ou não clichê?Chegam até a discutir a relação que há entre o amor e pizza ou amor e McDonald´s?

Com planos simples e sem grandes movimentos de câmera, que quase sempre está estática, é como se o expectador estivesse alí de bobeira, simplesmente ouvindo a história. Alguém cochichando ao lado e você, de repente, se vê interessadíssimo na conversa. O que acontece com filmes que parecem ter sido referências como “Alta Fidelidade” e “Antes do Amanhecer”.

Bem, o final é como todo filme de amor. Lógico que não vou citá-lo aqui, mas é parecida com aquela canção do Nando Reis, sabe?! “É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer”. Assim é o amor. Assim é a vida. Pois como diz o Dalai Lama, se case com alguém que você goste de conversar!

Dinheiro Invisível e suas mazelas

Você já reparou na quantidade de cartões de crédito/débito existentes no mercado? Curioso que de uns tempos para cá parece que usar dinheiro, efetivamente dito, passou a ser demodé. Pode ser um movimento das grandes cidades devido a assaltos, furtos, onde a população e lojistas ficam assustados e passa a preferir um pedaço de plástico com chip do que várias notas. Seria, talvez, uma mudança real no comportamento do público, cativado pelas ações de várias operadoras de cartões existentes. Assim criamos um dinheiro que não enxergamos. Talvez ele nem exista, pois na minha conta só vejo números e nos comprovantes das máquininhas, também.

Pois bem. Aproveitando disso várias empresas resolveram aderir a moda do “dinheiro já era” que é o mote principal do comercial da Visa para a promoção do seu site Vai de Visa. O comercial da t.v. que é popularmente conhecido como “bala de troco” é muito criativo e mostra as aventuras de um destemido cidadão tentando pagar a padaria, o restaurante e a papelaria com dinheiro e suas “impossibilidades” ao receber o troco.  Ao fundo uma banda de bolero bem ao estilo mexicano canta um tema cômico, se não fosse trágico! O protagonista do comercial sofre uma verdadeira transformação ao usar Visa. O visual fica mais cool e ele fica mais simpático. SERÁ??? Quem já não passou por tais dificuldades na hora de pagar uma conta? Há até as lendas urbanas de pessoas que foram juntando as balinhas e depois pagaram a conta da padoca com elas.

Pensando do lado do negócio, há de se ter o esforço de bancos e bandeiras de cartão para que se viabilize tal serviço.  As duas maiores bandeiras do Brasil, Redecar e Cielo (ex-Visanet), possuem nada menos que 90% do mercado e claro, as movimentações de cartão. Daí entra as sacadas das empresas em oferecer ao pequeno, médio e até mesmo grandes lojistas o melhor serviço.  O banco Santander oferece o que eles chamam de Conta Integrada Santander e que oferece ao cliente  além de alguns descontos, uma maquininha para que não haja mais balas de troco. A motivação passa por vários meios, mas o ponto chave creio que seria a fidelização de clientes PJ.

A Redecard criou o seu “faturation” em que propõe que o lojista é um amigo e conta com vários serviços não somente a maquininha. Há até serviços como o Oi Paggo, em que o seu número de celular juntamente com uma senha se tornam um cartão de crédito. O aparelho recebe a confirmação da transação, em seguida.

Assim vemos uma variação nas ações das empresas. A Visa tem o foco voltado ao cliente final. Já o Santander e a Redecard apostam no lojista como principal cliente. Ideias como a do Santander é abocanhar uma fatia significativa de pequenas e médias empresas. Claro que de uma forma estruturada e compromissada, pois o foco são clientes que possuem estabelecimentos comerciais. Mas e a grande quantidade de comerciantes informais que temos por ai? Como é que podem ser atendidos? Dai surge oportunidades de diferenciação nos negócios, como o caso do “Camelô do Futuro”, que até tem site e já foi entrevistado pelo Jô Soares e pelo Gilberto Dimenstein.

Acostumado com essa tendência de São Paulo em poder pagar tudo no cartão, minha esposa e eu sofremos muito nas férias passada quando fomos para a Argentina. Por lá ainda existe uma certa resistência para que se use cartões como forma de pagamento, além do que, em várias lojas há desconto para que se pague com “efectivo” e há acrescimo no valor de 4% ou 5% caso o cliente insista em usar cartão. Claro, há vários bares, restaurantes em que um cartão internacional é “bienvenido”, mas os argentinos preferem usar dinheiro na hora de pagar.

Concordo com os argentinos em certos aspectos. Parece que no cartão de crédito há uma relação ainda mais fria do que o vil metal, que hoje é de papel,  sobre o balcão. Você não “sente” o dinheiro indo embora. “Quer parcelar em quantas vezes, senhor?” É uma das frases que muito ouço com pagamentos grandes. Para os menores, há o: “Débito ou crédito?” E assim a sua conta corrente vai sendo deteriorada. Sem esquecer que no final do mês você possa ter aquela agradável surpresa de ter o valor a pagar fora do orçamento.

Óbvio que existem vantagens em usar os serviços de cartões. Você pode acompanhar seus débitos/créditos, você tem uma organização das suas compras, você parcela valores que não caberiam em um único mês e por ai vai. Mas quem é que tem esse comportamento com relação a compra com cartão? Creio que seja uma parte bem mínima. Até existem sites que nos ajudam na organização com as finanças, cartões e tudo mais. É o caso de um site especializado da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o seu “Meu Bolso em Dia“. Há vários outros casos como o Gbolso. Porém, de nada adiantará as ferramentas se não formos disciplinados.

O que teremos no futuro? Dinheiro? Cartão? Celular? Acredito que ainda teremos os dois por um bom tempo. Enquanto reclamações sobre operadoras de cartão de crédito sejam recorde e insistam em prejudicar os clientes ou tivermos problemas sistemicos com os serviços prestados, como ocorreu no natal passado, sempre haverá aquela desconfiança a respeito do serviços prestados.

Música + Design = Camiseta ou Filosofia?!

Esta dica veio da sensacional @biagranja e seu divertidíssimo MyPix.

O nome do cara é Mico Toledo. Ele é designer e teve uma ideia ótima. Transformar aquelas frases de músicas que ficamos cantarolando ou usamos quando queremos impressionar alguém com alguma frase de efeito em pôster.

Claro, a sacada deu tão certo que o cara hoje vende camiseta que são estampadas com seus pôsteres. Logicamente, essa não teve ter sido a função pela qual ele começou a criar seus trabalhos. Mas se uma boa ideia pode virar negócio, por que evitá-lo?

Na fabulosa página do flickr de Mico dá pra bisbilhotar seus pôsteres, rabiscos, fotos. Enfim, sua arte. Mas o fino da bossa é a sua filosofia musical. Como o próprio nome do site diz, MUSIC PHILOSOPHY, creio que ele quis transformar as citações, de certa forma, em filosofia. Chamar uma discussão para algo um pouco mais poético e que possa trazer alguma reflexão para quem observa seus trabalhos.

Alguém dúvida que ele conseguiu?

Mude sua visão sobre o Universo

Mudar sua visão sobre o universo. Esta é a promessa do novo filme da equipe de produções 3D da iMax. Famosa por trazer telas gigantes e experiências em 3D para os expectadores, agora a iMax traz “Hubble 3D“. Para terem ideia a tela de 300 metros quadrados do Shopping Bourbon Pompéia em São Paulo teve um custo aproximado de U$1.5 milhões de dólares.

Filmado por uma equipe de astronautas treinados para serem também cinegrafistas, “Hubble 3D” tem tudo para iniciar uma nova era no entretenimento popular. Narrado por Leonardo DiCaprio, o filme traz uma nova experiência para o usuário ao explorar os mistérios celestiais que nos cercam, além do cotidiano dos 7 astronaustas designados pela Nasa para reparar o poderoso telescópio. É quase como um documentário educacional sobre o funcionamento do telescópio, as missões cosmonautas e também sobre o que não vemos daqui de baixo.

Muitas dicas podem sem encontradas no site oficial do filme.  Somente em inglês, porém de fácil navegação, o site traz o trailer, fotos, papeis de paredes e curiosidades sobre a produção.

Infelizmente, teremos que esperar um pouco para vermos o filme por aqui, que deverá chegar somente no final do ano ou até mesmo no início de 2011.

É esperar para ver. Literalmente!

Sobre Hanson e a cidade de São Paulo

Era 1997, eu então com 15 anos fazia minha segunda visita à capital paulista. A primeira havia sido há dois anos numa excursão para o Playcenter.  [Não riam] Quando se é do interior, São Paulo é ainda maior. Tudo parecia um emaranhado de prédios, carros e pessoas. Sempre aos milhares, milhões.

Uma das coisas que me chamou atenção na visita foi que em várias rádios sintonizadas no carro tocavam uma musiquinha pop grudenta que era mais ou menos assim: “ummm bop dap dap tchuru, dubirô, bap du bop, dap dap, du…”. Quando se tem 15 anos e se vive cercado por música sertaneja, ouvir aquela música era ,na minha ingênua concepção, como ouvir São Paulo. Era como conhecer um mundo novo, algo desconhecido. E claro, a primeira impressão permanece. Então São Paulo, na minha segunda visita, tinha cara de “mmm bop”.

Voltando às Minas Gerais, descobri que aquela música era de uma banda chamada Hanson. A Banda composta por três irmãos cabeludos, mais ou menos da minha idade era a sensação “pop teen” da época. Se eu fosse menina, com certeza, teria um poster deles no meu quarto e faria promessas de me casar com algum deles.  Graças a Deus não chegou a tanto. Fiquei no máximo em comprar o cd. A música de sucesso era essa daqui, ó:

Passaram os anos, eu cresci, São Paulo se agigantou ainda mais e os Hanson, que também cresceram, sumiram depois de mais alguns hits e de alguns discos pop não vendáveis. Eis que para minha surpresa, hoje em dia não tão grata assim, os Hanson estão de volta. Agora sem o cabelão, com a voz diferente e a aparência quase irreconhecível, percebe-se que a sonoridade também mudou bastante.

Hoje eles já não tem a cara de São Paulo pra mim.  O menino que veio do interior hoje é casado e já vive aqui há quase 10 anos e a cara de São Paulo hoje tem outros aspectos. São músicas, lugares, pessoas. São Paulo já não me parece tão grande comona época em que estava só de passagem. Morar é diferente. É criar o seu cantinho. Talvez eu esteja enganado e São Paulo seja ainda maior. Há tantas coisas bem na nossa cara e só reparamos quando mudamos de ponto de vista.

Para terem uma ideia essa é a vista que tenho da cidade pela minha janela.


E hoje São Paulo, assim como eu, já não temos aquele menino de 15 anos que gostava de Hanson.