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Quando menos é mais

Ano passado tive a oportunidade de ler “O Paradoxo da Escolha”, de Barry Schwartz. Schwartz é psicólogo de formação e atualmente é professor de Teoria Social e de Ação Social na Faculdade Swarthmore, na Pensilvânia.

O livro trata do paradoxo que pra ele é termos muitas escolha, o que na verdade, implica em dizer que menos é mais.

Explico.

Fazemos escolhas durante todo o dia. Ao despertar, escolhemos se vamos deixar o “soneca” do celular tocar daqui a 10 minutos ou se vamos cair da cama, se vamos de tênis ou de sapato, de calça jeans ou de camisa, se vamos no restaurante mais bacana ou no self-service barato.

Então, para que dar mais uma gama de escolhas para o consumidor?

Quando entramos em um supermercado precisamos decidir entre as 40 marcas de creme dental, os 75 tipos de refrigerante e também entre milhares bolachas e salgadinhos existentes. Só pra se ter uma idéia, nos últimos anos, tivemos um acréscimo de pelo menos 30.00 diferentes tipos de produtos relacionados somente a alimentação. Por exemplo, em um Hipermercado Carrefour há mais de 14.000 produtos de toda sorte. Isso mesmo. 14 mil. E por que o cliente escolherá o seu produto e não o da concorrência?! Sempre tivemos escolhas, porém agora temos ainda mais.

Não faz muito tempo em que você podia ter qualquer telefone, desde que fosse da Telesp. Hoje não. Hoje você pode escolher em ter um celular ou um telefone fixo, se terá Embratel, NetFone, Telefonica, Vivo, Claro, TIM, Oi e por ai afora. A resposta aqui é NÃO. O único telefone que você não pode ter é um telefone
que é somente um telefone. Hoje por mais simples que seja um aparelho ele terá tantas funcionalidades quanto você puder usar, ou entender.

O que isso acarreta é que num mundo moderno e funcional você poderá usar a tecnologia para trabalhar não importando onde esteja. Ou seja, trabalhar ou não é uma opção de escolha. Você vai com seu namorado na lanchonete e você tem um Android numa mão, um iPhone na outra e um computador no colo. Então, enquanto seu namorado toma lanche sozinho, você se pega pensando: “Retorno aquela ligação agora, respondo aquele email…” E mesmo que você diga não a todas as questões, o simples fato de pensar e deliberar a respeito já é uma opção de escolha.

No ambiente familiar há sempre o exemplo de namorar, casar e ter filhos. Havia na sociedade um senso comum que dizia que você teria que traçar isso pra sua vida e a única escolha que você poderia ter não era se casar ou ter filhos e sim com quem casar e ter filhos. Hoje, não mais. Hoje podemos priorizar a família ou a carreira e posso levar bem mais tempo para me casar, estudar ou ter filhos.

O que temos nisso tudo são boas notícias ou más notícias? E a resposta aqui é SIM. Liberdade e escolhas são aspectos positivos. Você tem possibilidades, você pode ter mais controle do seu tempo e levar uma vida mais autônoma. Ninguém discorda disso. Porém há um lado obscuro nesse modo de vida que ninguém havia parado pra pensar a respeito.

Na pesquisa que Schwartz realizou com sua equipe, há vários dados interessantes. Questionados se acreditavam que há mais opções que o necessário para se escolher em determinada categoria de produto, as pessoas responderam que SIM nos percentuais seguintes:

  • Vestuário: 65%
  • Lavadoras: 80%
  • Bancos: 75%
  • Utilidades domésticas: 75%
  • Carros: 80%
  • Produtos de limpeza: 80%
  • Celulares: 78%

Ou seja, ao que tudo indica há muito mais escolhas a serem feitas do que vale a pena pelo tempo perdido ou pelos problemas encontrados.

O que acontece paradoxalmente quando se há muitas escolha a serem feitas é PARALISIA. Há tantas opções de escolha que acaba-se escolhendo NADA.

Schwartz mostra dois exemplos que se encaixam perfeitamente com a nossa realidade encontrada nos Pontos de Venda hoje em dia.

Exemplo 1. Um grande supermercado fez uma ação com uma fabricante de geléias para expor seus produtos, onde o cliente pudesse degustar quantos sabores quisesse. Caso o cliente degustasse e se mostrasse disposto em comprar, ganharia um cupom com um desconto de U$1,00. Fizeram a degustação em duas etapas: A primeira com uma mesa onde haviam 6 tipos diferentes de geléia e uma segunda onde haviam 24 diferentes sabores de geléia. A diferença é absurda. A ação em que constavam 24 tipos diferentes de geléia teve aceitação em somente 10% dos consumidores se comparada à aceitação da ação de 6 geléias.

O quão importante é se ter mais geléias pra escolher?! O consumidor que poderia comprar geléia, vai comprar manteiga, ou creamchesse ou qualquer outro produto, exceto geléia.

O exemplo 2 tem relação com a troca compensatória, ou seja, você tem a exata noção de que está comprando um produto em que tenha absoluta certeza que é melhor que o outro.
No caso ele usa a compra de um equipamento simples de som. Ora um Sony Popular, ora um Philips Top de Linha, ora Philips Inferior. Veja que a comparação de um produto como outro pode fazer toda a diferença.

Para concluir, podemos dizer que o que Schwartz quer nos mostrar é que quanto mais escolhas temos a fazer, mais teremos a sensação de que estamos deixando algo melhor para trás. Ou seja, muitas vezes fazemos escolhas e temos uma situação imaginada que induz ao arrependimento da escolha tomada, diminuindo a sensação de satisfação da escolha que fizemos mesmo se tomamos uma boa decisão. A culpa por não ter escolhido melhor é de nós mesmos e não das possibilidades que haviam.

O que quero dizer com tudo isso?

Num mundo cada vez mais cheio de escolhas e de uma suposta liberdade para fazê-las é preciso que se tenha relevância. Ser relevante no que fazemos, no que criamos, no que expomos. As escolhas estão cada vez mais envolvidas com o bem estar das pessoas e quanto mais argumentos e relevância tivermos nessa opção de escolha, mais faremos a diferença.

Se gostou do texto e quer mais informações a respeito, vale a pena ver a palestra do Barry Schwartz no TED.

Fontes:

http://www.rodolfo.typepad.com/

http://blog.oquederevier.com/

“O Paradoxo da Escolha”, de Barry Schwartz. Barry é professor de Teoria Social e de Ação Social na Faculdade Swarthmore, na Pensilvânia
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Dinheiro Invisível e suas mazelas

Você já reparou na quantidade de cartões de crédito/débito existentes no mercado? Curioso que de uns tempos para cá parece que usar dinheiro, efetivamente dito, passou a ser demodé. Pode ser um movimento das grandes cidades devido a assaltos, furtos, onde a população e lojistas ficam assustados e passa a preferir um pedaço de plástico com chip do que várias notas. Seria, talvez, uma mudança real no comportamento do público, cativado pelas ações de várias operadoras de cartões existentes. Assim criamos um dinheiro que não enxergamos. Talvez ele nem exista, pois na minha conta só vejo números e nos comprovantes das máquininhas, também.

Pois bem. Aproveitando disso várias empresas resolveram aderir a moda do “dinheiro já era” que é o mote principal do comercial da Visa para a promoção do seu site Vai de Visa. O comercial da t.v. que é popularmente conhecido como “bala de troco” é muito criativo e mostra as aventuras de um destemido cidadão tentando pagar a padaria, o restaurante e a papelaria com dinheiro e suas “impossibilidades” ao receber o troco.  Ao fundo uma banda de bolero bem ao estilo mexicano canta um tema cômico, se não fosse trágico! O protagonista do comercial sofre uma verdadeira transformação ao usar Visa. O visual fica mais cool e ele fica mais simpático. SERÁ??? Quem já não passou por tais dificuldades na hora de pagar uma conta? Há até as lendas urbanas de pessoas que foram juntando as balinhas e depois pagaram a conta da padoca com elas.

Pensando do lado do negócio, há de se ter o esforço de bancos e bandeiras de cartão para que se viabilize tal serviço.  As duas maiores bandeiras do Brasil, Redecar e Cielo (ex-Visanet), possuem nada menos que 90% do mercado e claro, as movimentações de cartão. Daí entra as sacadas das empresas em oferecer ao pequeno, médio e até mesmo grandes lojistas o melhor serviço.  O banco Santander oferece o que eles chamam de Conta Integrada Santander e que oferece ao cliente  além de alguns descontos, uma maquininha para que não haja mais balas de troco. A motivação passa por vários meios, mas o ponto chave creio que seria a fidelização de clientes PJ.

A Redecard criou o seu “faturation” em que propõe que o lojista é um amigo e conta com vários serviços não somente a maquininha. Há até serviços como o Oi Paggo, em que o seu número de celular juntamente com uma senha se tornam um cartão de crédito. O aparelho recebe a confirmação da transação, em seguida.

Assim vemos uma variação nas ações das empresas. A Visa tem o foco voltado ao cliente final. Já o Santander e a Redecard apostam no lojista como principal cliente. Ideias como a do Santander é abocanhar uma fatia significativa de pequenas e médias empresas. Claro que de uma forma estruturada e compromissada, pois o foco são clientes que possuem estabelecimentos comerciais. Mas e a grande quantidade de comerciantes informais que temos por ai? Como é que podem ser atendidos? Dai surge oportunidades de diferenciação nos negócios, como o caso do “Camelô do Futuro”, que até tem site e já foi entrevistado pelo Jô Soares e pelo Gilberto Dimenstein.

Acostumado com essa tendência de São Paulo em poder pagar tudo no cartão, minha esposa e eu sofremos muito nas férias passada quando fomos para a Argentina. Por lá ainda existe uma certa resistência para que se use cartões como forma de pagamento, além do que, em várias lojas há desconto para que se pague com “efectivo” e há acrescimo no valor de 4% ou 5% caso o cliente insista em usar cartão. Claro, há vários bares, restaurantes em que um cartão internacional é “bienvenido”, mas os argentinos preferem usar dinheiro na hora de pagar.

Concordo com os argentinos em certos aspectos. Parece que no cartão de crédito há uma relação ainda mais fria do que o vil metal, que hoje é de papel,  sobre o balcão. Você não “sente” o dinheiro indo embora. “Quer parcelar em quantas vezes, senhor?” É uma das frases que muito ouço com pagamentos grandes. Para os menores, há o: “Débito ou crédito?” E assim a sua conta corrente vai sendo deteriorada. Sem esquecer que no final do mês você possa ter aquela agradável surpresa de ter o valor a pagar fora do orçamento.

Óbvio que existem vantagens em usar os serviços de cartões. Você pode acompanhar seus débitos/créditos, você tem uma organização das suas compras, você parcela valores que não caberiam em um único mês e por ai vai. Mas quem é que tem esse comportamento com relação a compra com cartão? Creio que seja uma parte bem mínima. Até existem sites que nos ajudam na organização com as finanças, cartões e tudo mais. É o caso de um site especializado da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o seu “Meu Bolso em Dia“. Há vários outros casos como o Gbolso. Porém, de nada adiantará as ferramentas se não formos disciplinados.

O que teremos no futuro? Dinheiro? Cartão? Celular? Acredito que ainda teremos os dois por um bom tempo. Enquanto reclamações sobre operadoras de cartão de crédito sejam recorde e insistam em prejudicar os clientes ou tivermos problemas sistemicos com os serviços prestados, como ocorreu no natal passado, sempre haverá aquela desconfiança a respeito do serviços prestados.

Aspectos da Publicidade contemporânea no Brasil

A pedido do meu professor de Planejamento de Campanha, meu grupo e eu tivemos que bolar uma breve reflexão sobre aspectos da publicidade de hoje no Brasil que julgassemos importantes.  Errados ou não, seguimos pelo caminho do distancimento do produto como foco da campanha e como o professor gostou, transcrevo o texto abaixo:

Para que possamos analisar a publicidade contemporânea, vamos regressar um pouco no tempo e entender como ela tem se comportado nos últimos tempos. Junto com uma quantidade cada vez maior de merchadising em reality show, propagandas de cunho ambiental e alto investimento em mídias digitais, o que mais nos chama atenção é ver várias campanhas em que há um breve distanciamento entre o produto ou serviço, ou até mesmo marca, veiculado na transmissão da mensagem.

Diferentemente do que ocorria na década de 1980, havia o predomínio das chamadas agency house – agências onde todo o departamento de comunicação é interno, tudo é criado de dentro pra fora –, hoje as agências pensam junto com o cliente, tanto no planejamento estratégico/mercadológico e também comandam várias etapas de comunicação dele.

Com as agency houses, as agências eram responsáveis pela criação de anúncios, basicamente. Cobravam caro por serem criativas e na maioria das vezes o produto era o foco das campanhas. Estavam falando com um consumidor que muitas vezes precisava entender o que se vendia e se enxergaria na esfera social da campanha.

Hoje em dia as mudanças no comportamento do consumidor fizeram com que as empresas se preocupassem em enaltecer o papel do cliente na campanha desenvolvida, ou seja, o foco se inverteu. O produto fica um pouco afastado da mensagem, enfatiza-se o papel do cliente e sua vida cotidiana que pode ser melhorada.

Com o avanço de orgãos de defesa do consumidor e também da internet, hoje temos um consumidor mais consciente de sua variedade de opções e do seu poder de escolha, o que por vezes facilita, pois não há tanta necessidade de se explicar produtos e funcionalidades como antes.

Vemos isso claramente em comerciais televisivos como na nova campanha da McCann Erickson para o novo Chevrolet Classic. A campanha “Sua vida. Suas conquistas. Seu sedã”, procura ressaltar a experiência de passar por novas situações de emoção e conquista. A campanha tem dois filmes de 90, 60 e 30 segundos. O filme “Noiva” mostra o pai e filha no trajeto para a igreja. No final da conversa o pai confidencia a filha que o carro que dirigia é um presente para ela.

Já o filme “Dialogo” apresenta o pai e o filho a caminho do vestibular. O pai dialogo com o filho que a vida é como dirigir. Ora se acelera pra passar obstáculos, outra é preciso frear e até mesmo parar. Mas que é preciso seguir para se chegar ao fim da estrada.

Outra campanha em que se vê claramente o cliente como foco da comunicação é na criação da Talent para o Banco Santander. Os clientes famosos, tais como Walter Mancini, dono do renomado restaurante paulistano Famiglia Mancini e também José Júnior, criador do Afroreggae, são convocados a falar sobre a experiência de ter uma idéia de como melhor a sua vida, sua cidade, sua comunidade. Desta forma, o banco Santander fica como “coadjuvante” e parceiro. Toda a ação inicial, no caso a idéia, fica com o cliente. Assim é a campanha do “Vamos fazer juntos?” engloba tanto a junção Banco Real + Santander quanto o conceito de parceria num projeto com o cliente.

Claramente podemos destacar três características principais em tais campanhas:

– Função emotiva da linguagem: A mensagem centra-se nas opiniões, sentimentos e emoções do emissor.

– Textos longos e muito bem escrito

– Pode-se substituir o produto/serviço ou marca anunciada por outra da categoria que não se perde o contexto.

Nem melhor, nem pior. A publicidade no Brasil não passa por crise de identidade ou ausência de criatividade. Nos anos 80 tinhamos produtos na frente. Hoje temos o cliente. Não passamos e quem sabe não precisamos de revolução. Estamos, sim, passando por uma evolução. E só o tempo e os consumidores dirão se estamos certos ou errados.

Publicidade em três palavras ou original da cópia

A coisa mais bacana de se estudar publicidade – além de pode criar campanhas publicitárias fictícias e vestir camisa xadrez, é claro – é poder dar pitaco nas campanhas que veiculam por ai. Todo processo de criação de uma campanha, de maneira muito resumida, começa pela solicitação do cliente, passa pelo planejamento da agência e chega na criação. Uma vez na criação, os malucos ou gênios que ali habitam bolarão uma maneia de passar a idéia da campanha para o público-alvo.

Perfeito! É só saber fazer uns malabarismos no Photoshop, criar um slogan ou uma musiquinha com rima ou ainda um bordão que caia nas graças do povo, certo?! Bem, não é bem assim. A galera se mata pra agradar o cliente, o CONAR e público que será atingido pela campanha e produzem pérolas que ficarão na cabeça da gente por um periodo razoável de tempo.  Porém, nem sempre é assim.

Engraçado que ultimamente venho notando vários slogans que são feitos com apenas três palavrinhas. Alguns criativos, outros, nem tanto. E mais engraçado ainda é o que dá pra criar quando se descontextualiza as três palavras do produto. Pensando nisso, peguei alguns exemplos e resolvi fazer uma brincadeira que pode ajudar o pessoal da criação de outros produtos com uma campanha já pronta. Pois como dizia o velho e já saudoso Armando Nogueira: “é melhor copiar uma ideia boa que usar uma idéia ruim”.

1 – Tang – Preparou, bebeu, faz

Essa campanha muito criativa da Tang quer despertar a consciência das crianças para a preservação do meio ambiente. Impossível assitir o vídeo e não sair contarolando: “Preparou, Bebeu, Faz…”

Agora imagine você também que “Preparou, bebeu, faz” daria uma ótima idéia para a Caninha 51 e seu produto Caipirinha Mix 51. Veja que é o mesmo conceito de preparar, beber e fazer. Agora fazer o quê? Provavelmente alguma cagada, pois o cidadão vai encher a lata e fazer alguma arte por ai…

2 – Novo Bis – Desconfie de todos

Na minha singela opinião, o melhor comercial de tv que apereceu nos últimos tempos. Simples, direto e bem humorado, o filme mostra que o produto é tão bom que até vale fazer alguma coisa errada por ele.

Indo na mesma linha de fazer algo errado, “Desconfie de todos”  poderia ser usado para vender teste de gravidez. Por exemplo, vamos dizer que a menina seja daquelas que goste de fazer “algo errado” com mais alguém, sabe?! Então, temos a nova campanha dos testes de gravidez Bioeasy. “Desconfie de todos”, pois sabe lá…

3 – Visa – Clicou, passou, entrou

A campanha da Visa busca o público que quer praticidade. Comprar ingressos na internet para entrar no estádio. Num país onde ir num estádio de futebol é quase uma aventura, pagar perto de R$100,00 para ver um jogo muitas vezes meia boca até pode ser uma boa. Digo isso, pois o ingresso é só para estádios que tenham a torcida Visa, uma faixa damarcada da arquibancada que é exclusiva para quem compra pela internet. E como todo mundo quer lucrar na história, o preço fica um pouco impopular. Mas, não é essa a questão aqui. A questão é que o “Clicou, passou, entrou” tanto serve pra comprar ingresso, como também poderia ser usada para comprar, por exemplo, KY pela internet.  Clicou, passou, entrou. Bem, acho que você entendeu…

4 – Estomazil – Ferveu, tomou, passou

Essa aqui é mais usada no rádio ou para mídia interna, como essa ai em cima que foi usada no metrô. Contra azia e má digestão, você toma o tal do Estomazil. Corretíssimo. Exceto pelo fato de que você pode comer um boi e achar que está tudo bem, pois o remédio está ali pra isso mesmo, né?! Engraçado ou até irônico, eu acho, que todo comercial de remédio tem que avisar que: “A persisitirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”. O correto seria o contrario, não?! O médico antes do remédio, mas a fila anda e podemos usar o “ferveu, tomou, passou” pra vender Vicky Pirema. Você está com gripe? Ferveu, tomou, passou.

Tudo isso para chegarmos até aqui. No número 5.

5 – Bozzano – Bozzano é bom!!!

Aqui o slogan original que era: “É Bozzano, é bom”, mas no rádio, que foi de onde tirei a ideia de escrever, o Ronaldo pronuncia: “Bozzano é bom”.

Porra, Bozzano. Porra, Ronaldo. Quando eu citei o Armando Nogueira era de brincadeira. Essa campanha já é da Bayer desde 1922. E agora, quase 90 anos depois, é “reiventado”? Impressionante como a falta de inventividade às vezes compromete uma campanha inteira! Por mais que o produto seja bom e que traga algum benefício único para o consumidor, assumir um slogan outrora já usado não é uma boa ideia. Os consumidores ficarão com a impressão de que algo está deslocado. Que já ouviram isso antes. E pior, a atenção se voltará muito mais pro slogan copiado do que pro próprio produto/marca. Ainda bem que existe o CONAR que fez o favor a todos nós de suspender o comercial. Fiquei aliviado quando li no CCSP sobre a resolução do caso. Agora, revolucionaram, pois adicionaram “sempre com você” (ó, as três palavrinhas ai) e o Ronaldo, sempre mega empolgado, desta vez nem precisou gastar saliva.

Coletei os dados das campanha acima e fiz essa brincadeira pra lembrar que uma vez associado a um produto, dificilmente você poderá colocar um slogan ou uma ideia ligado a outro produto. Isso facilitaria muito as coisas? Claro que sim. Imagine que podemos pegar campanhas consagradas como: “Mil e uma utilidades”,”Feito pra você”, Não basta ser pai, tem que participar” e usá-las pra uma infinidade de produtos senão Bombril, Itau e Gelol. Mas e dai? O público lembrará do seu produto como original ou uma cópia. Tome sempre cuidado, pois na vida nos acostumamos a ser assim, como Carl Jung costumava dizer: “Nascemos todos originais, mas morremos cópia”.

E você prefere ser original ou cópia?

De volta para a criatividade – Parte I

Um dos filmes que fez a cabeça dos jovens na década de 1980 e continua com tal poder é “De volta para o Futuro” de Robert Zemeckis.

Como você deve saber, o filme conta sobre o jovem Marty Mcfly que viaja no tempo até 1955, época em que seus pais tinham sua idade, numa máquina criada pelo cientista maluco Dr. Brown, amigo de Marty.

O objetivo aqui é escrever sobre “De volta para o futuro” sim, mas pelo viés da criatividade.

O que é criatividade pra você? O que é ser criativo?

Todo mundo acredita que criatividade tem a ver com ser criativo, ter inventividade, talento e inteligência para criar as coisas do “nada”. Seria aquele dom provido ou adquirido de inventar ou refazer alguma coisa. Tenho que concordar, mas pra mim não é só isso. Creio que a  criatividade tem a ver, acima de tudo, com a resolução de um PROBLEMA! E tentarei esclarecer aqui porque acho “De volta para o Futuro” um caso de criatividade.

Essa não é uma sessão de auto-ajuda, muito menos uma receita de como ser criativo, pois isso não deve nem existir. Simplesmente fui encaixando as ideias que tenho sobre criatividade com o making of do filme.

1 – Idéia original

Como não pensei nisso antes?

O roteiro original de “De volta para o futuro” é de Bob Gale e Robert Zemeckis. Problema a ser resolvido: E se você pudesse viajar pelo tempo? Esse foi a ideia original que Bob e Robert não tiveram. Eles sempre foram fãs de obras como “A máquina do Tempo” de H.G. Wells e “Um conto de Natal” de Charles Dickens, os pioneiros em viajar no tempo.

Quando Bob Gale foi visitar seus pais em Saint Louis, Missouri e descobriu que seu pai tinha sido lider de classe revirando um livro escolar do colégio, se lembrou de quem era lider de sua classe, com quem não tinha muita afinidade. Ele se perguntou se teria sido amigo do seu pai se tivesse estudado com ele  e então Bob teve a ideia original de escrever sobre como seria ver e conviver com seus pais na época em que eram jovem.

As coisas nunca surgem do nada. Todo o “background” adquirido seja com o que lemos, discutimos, ouvimos e sentimos pode servir de inspiração para algo. É o que normalmente acontece, portanto, encha sua cabeça com tudo. Você pode recriar uma história para que ela seja ainda mais “original”.

2 – Problemas no roteiro

Ah, legal. Agora vamos viajar no tempo. Mas como será a máquina que nos transportará. Bob e Robert não sabiam exatamente. Sabiam que teria que ser inventada em uma garagem.

Criaram o Dr. Brown, que seria um veterano do Projeto Manhattan, tipo de sujeito que faria esse tipo de coisa em sua garagem. E a primeira ideia sobre a máquina do tempo era de ser uma câmara ou coisa do gênero. Logo pensaram em uma geladeira. Porém, descobriram que seria mais interessante, e prático para a história, se a máquina pudesse se locomover. Dai tiveram a ideia do DeLorean que veio para entrar numa piada do filme.

Quando Marty viaja pela primeira vez ele entra com o carro num celeiro de uma fazenda. E o garoto, filho do fazendeiro, está lendo um livro de ficção científica em que a capa estampa uma nave parecida com o Delorean. Pra quem não se lembra o Delorean levanta as portas na vertical, o que lhe dá um aspecto de nave realmente.

Como cita Bob Gale, o roteiro muda constantemente. Ele complementa que o que pode parecer uma ideia fantástica em um dia, pode não ser tão boa no outro. Ou você tem uma grande ideia hoje e amanhã tem uma ainda melhor.

Para que o Delorean pudesse viajar no tempo ele teria que gerar 1,21 GigaWatts e a ideia original era de que uma explosão nuclear produziria essa potência, disparando o capacitor de fluxo e levando Marty de 1955 para 1985. Para tanto Marty conduziria o carro até uma estação nuclear de testes que realizava experimentos no deserto. E então Dr. Brown forjaria uma permissão para eles entrarem na estação e usaria uma bomba atômica como combustível.  Até ai tudo bem. Porém os custos para se produzir uma sequência dessas custaria não menos de 1 milhão de dólares, o que era inviável para a produção em 1984.

E o que eles fizeram para resolver o problema? Criaram a ideia de um raio atingindo o relógio de Hill Valley e produzindo os famosos 1,21 GigaWatts. Encaixaram tudo tão maravilhosamente bem no roteiro que a sequência está muito mais dentro do contexto de tempo/espaço do que dirigir o DeLorean até o deserto por uma bomba.

Eu acredito que isso é parte do processo evolucionário de uma ideia: a mudança. É tudo parte da resolução de um grande problema.

3 – No tempo certo

Ao escreverem o roteiro, Robert Zemeckis conta para Steven Spielberg sobre o material. Steve gosta muito da história e topa na hora em realizar a produção, como havia feito com os dois filmes anteriores de Zemeckis, os quais não haviam sido muito bem sucedidos. Ressabiado, Zemeckis pensa que talvez não fosse o momento exato para o filme, pois um terceiro filme ruim poderia arruinar sua carreira como diretor e possivelmente não arrumaria mais emprego, o que Steve lhe dá toda razão.

Três anos mais tarde, após Zemeckis ser convidado por Michael Douglas a fazer “Tudo por uma Esmeralda” e por ter sido um grande sucesso, a ideia de realizar  “De volta para o futuro” parece boa para o estúdio, mas Zemeckis voltou para quem havia acreditado no roteiro desde o início, no caso, Spielberg.

Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Não atropele a ordem das coisas.

4 – Intuição e um pouco de esforço

Para a escolha do elenco, tanto Bob quanto Zemeckis dizem que foi uma questão de intuição. Crispin Glover, o pai McFly e Lea Thompson, a mãe, leram o roteiro várias vezes e se tornaram as personagens. Christopher Lloyd era pra eles o cientista maluco perfeito. Para criar o papel de cientista maluco, ele conta que usou o maestro Leopold Stokowski como inspiração, que com seus cabelos e gestos exagerados era como se conduzisse a orquesta do mundo, o que recria tão bem no filme.

Acima: Stoltz, o Marty que ninguém quis. Abaixo: Michael J. Fox, o cara!!!

Michael J. Fox foi o primeiro ator a ser considerado para interpretar Marty McFly. Porém ele estava no seriado “Family Ties” ou “Caras e Caretas” no Brasil, e por isso não estaria disponível para as gravações de “De volta para o Futuro”. O jeito foi realizar testes para encontrar novos atores e as gravações chegaram a ser adiadas, pois não encontravam ninguém capaz de levar o filme adiante. C. Thomas Howell e Eric Stoltz foram quem mais se sobressairam nos testes. Bob e Zemeckis haviam gostado de Thomas Howell, mas um diretor da MCA gostou tanto do teste de Stoltz e disse que estava convencido de que ele era o cara certo e se não fosse, começariam tudo de novo. Stoltz começou a gravar, mas para o diretor Zemeckis ele não tinha o tipo de humor necessário ao filme.  Entao eles voltaram para Michael J. Fox.

Michael leu o roteiro e ficou maluco com aquilo. Ele dizia que não precisaria dormir. Que daria um jeito de gravar o seriado e levaria o filme adiante. Uma semanas depois ele estava congelando às duas da manhã em Pomona, gravando com Christopher Lloyd e o DeLorean. Aos 22 anos, dormia de duas a três horas por dia por conta da jornada. Ele nem teve tempo de se preparar. Simplesmente começou a gravar.

Às vezes, as coisas das quais mais temos certeza na vida não temos como explicar. Simplesmente sentimos, ou melhor, pressentimos. Acredite em você  e dê uma chance para seus desejos. Não se leve tão a serio e perceba que as coisas começam a fluir.  Lembre-se que para onde estamos indo não precisamos de estrada!!!

Continua…