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Quando menos é mais

Ano passado tive a oportunidade de ler “O Paradoxo da Escolha”, de Barry Schwartz. Schwartz é psicólogo de formação e atualmente é professor de Teoria Social e de Ação Social na Faculdade Swarthmore, na Pensilvânia.

O livro trata do paradoxo que pra ele é termos muitas escolha, o que na verdade, implica em dizer que menos é mais.

Explico.

Fazemos escolhas durante todo o dia. Ao despertar, escolhemos se vamos deixar o “soneca” do celular tocar daqui a 10 minutos ou se vamos cair da cama, se vamos de tênis ou de sapato, de calça jeans ou de camisa, se vamos no restaurante mais bacana ou no self-service barato.

Então, para que dar mais uma gama de escolhas para o consumidor?

Quando entramos em um supermercado precisamos decidir entre as 40 marcas de creme dental, os 75 tipos de refrigerante e também entre milhares bolachas e salgadinhos existentes. Só pra se ter uma idéia, nos últimos anos, tivemos um acréscimo de pelo menos 30.00 diferentes tipos de produtos relacionados somente a alimentação. Por exemplo, em um Hipermercado Carrefour há mais de 14.000 produtos de toda sorte. Isso mesmo. 14 mil. E por que o cliente escolherá o seu produto e não o da concorrência?! Sempre tivemos escolhas, porém agora temos ainda mais.

Não faz muito tempo em que você podia ter qualquer telefone, desde que fosse da Telesp. Hoje não. Hoje você pode escolher em ter um celular ou um telefone fixo, se terá Embratel, NetFone, Telefonica, Vivo, Claro, TIM, Oi e por ai afora. A resposta aqui é NÃO. O único telefone que você não pode ter é um telefone
que é somente um telefone. Hoje por mais simples que seja um aparelho ele terá tantas funcionalidades quanto você puder usar, ou entender.

O que isso acarreta é que num mundo moderno e funcional você poderá usar a tecnologia para trabalhar não importando onde esteja. Ou seja, trabalhar ou não é uma opção de escolha. Você vai com seu namorado na lanchonete e você tem um Android numa mão, um iPhone na outra e um computador no colo. Então, enquanto seu namorado toma lanche sozinho, você se pega pensando: “Retorno aquela ligação agora, respondo aquele email…” E mesmo que você diga não a todas as questões, o simples fato de pensar e deliberar a respeito já é uma opção de escolha.

No ambiente familiar há sempre o exemplo de namorar, casar e ter filhos. Havia na sociedade um senso comum que dizia que você teria que traçar isso pra sua vida e a única escolha que você poderia ter não era se casar ou ter filhos e sim com quem casar e ter filhos. Hoje, não mais. Hoje podemos priorizar a família ou a carreira e posso levar bem mais tempo para me casar, estudar ou ter filhos.

O que temos nisso tudo são boas notícias ou más notícias? E a resposta aqui é SIM. Liberdade e escolhas são aspectos positivos. Você tem possibilidades, você pode ter mais controle do seu tempo e levar uma vida mais autônoma. Ninguém discorda disso. Porém há um lado obscuro nesse modo de vida que ninguém havia parado pra pensar a respeito.

Na pesquisa que Schwartz realizou com sua equipe, há vários dados interessantes. Questionados se acreditavam que há mais opções que o necessário para se escolher em determinada categoria de produto, as pessoas responderam que SIM nos percentuais seguintes:

  • Vestuário: 65%
  • Lavadoras: 80%
  • Bancos: 75%
  • Utilidades domésticas: 75%
  • Carros: 80%
  • Produtos de limpeza: 80%
  • Celulares: 78%

Ou seja, ao que tudo indica há muito mais escolhas a serem feitas do que vale a pena pelo tempo perdido ou pelos problemas encontrados.

O que acontece paradoxalmente quando se há muitas escolha a serem feitas é PARALISIA. Há tantas opções de escolha que acaba-se escolhendo NADA.

Schwartz mostra dois exemplos que se encaixam perfeitamente com a nossa realidade encontrada nos Pontos de Venda hoje em dia.

Exemplo 1. Um grande supermercado fez uma ação com uma fabricante de geléias para expor seus produtos, onde o cliente pudesse degustar quantos sabores quisesse. Caso o cliente degustasse e se mostrasse disposto em comprar, ganharia um cupom com um desconto de U$1,00. Fizeram a degustação em duas etapas: A primeira com uma mesa onde haviam 6 tipos diferentes de geléia e uma segunda onde haviam 24 diferentes sabores de geléia. A diferença é absurda. A ação em que constavam 24 tipos diferentes de geléia teve aceitação em somente 10% dos consumidores se comparada à aceitação da ação de 6 geléias.

O quão importante é se ter mais geléias pra escolher?! O consumidor que poderia comprar geléia, vai comprar manteiga, ou creamchesse ou qualquer outro produto, exceto geléia.

O exemplo 2 tem relação com a troca compensatória, ou seja, você tem a exata noção de que está comprando um produto em que tenha absoluta certeza que é melhor que o outro.
No caso ele usa a compra de um equipamento simples de som. Ora um Sony Popular, ora um Philips Top de Linha, ora Philips Inferior. Veja que a comparação de um produto como outro pode fazer toda a diferença.

Para concluir, podemos dizer que o que Schwartz quer nos mostrar é que quanto mais escolhas temos a fazer, mais teremos a sensação de que estamos deixando algo melhor para trás. Ou seja, muitas vezes fazemos escolhas e temos uma situação imaginada que induz ao arrependimento da escolha tomada, diminuindo a sensação de satisfação da escolha que fizemos mesmo se tomamos uma boa decisão. A culpa por não ter escolhido melhor é de nós mesmos e não das possibilidades que haviam.

O que quero dizer com tudo isso?

Num mundo cada vez mais cheio de escolhas e de uma suposta liberdade para fazê-las é preciso que se tenha relevância. Ser relevante no que fazemos, no que criamos, no que expomos. As escolhas estão cada vez mais envolvidas com o bem estar das pessoas e quanto mais argumentos e relevância tivermos nessa opção de escolha, mais faremos a diferença.

Se gostou do texto e quer mais informações a respeito, vale a pena ver a palestra do Barry Schwartz no TED.

Fontes:

http://www.rodolfo.typepad.com/

http://blog.oquederevier.com/

“O Paradoxo da Escolha”, de Barry Schwartz. Barry é professor de Teoria Social e de Ação Social na Faculdade Swarthmore, na Pensilvânia
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Dinheiro Invisível e suas mazelas

Você já reparou na quantidade de cartões de crédito/débito existentes no mercado? Curioso que de uns tempos para cá parece que usar dinheiro, efetivamente dito, passou a ser demodé. Pode ser um movimento das grandes cidades devido a assaltos, furtos, onde a população e lojistas ficam assustados e passa a preferir um pedaço de plástico com chip do que várias notas. Seria, talvez, uma mudança real no comportamento do público, cativado pelas ações de várias operadoras de cartões existentes. Assim criamos um dinheiro que não enxergamos. Talvez ele nem exista, pois na minha conta só vejo números e nos comprovantes das máquininhas, também.

Pois bem. Aproveitando disso várias empresas resolveram aderir a moda do “dinheiro já era” que é o mote principal do comercial da Visa para a promoção do seu site Vai de Visa. O comercial da t.v. que é popularmente conhecido como “bala de troco” é muito criativo e mostra as aventuras de um destemido cidadão tentando pagar a padaria, o restaurante e a papelaria com dinheiro e suas “impossibilidades” ao receber o troco.  Ao fundo uma banda de bolero bem ao estilo mexicano canta um tema cômico, se não fosse trágico! O protagonista do comercial sofre uma verdadeira transformação ao usar Visa. O visual fica mais cool e ele fica mais simpático. SERÁ??? Quem já não passou por tais dificuldades na hora de pagar uma conta? Há até as lendas urbanas de pessoas que foram juntando as balinhas e depois pagaram a conta da padoca com elas.

Pensando do lado do negócio, há de se ter o esforço de bancos e bandeiras de cartão para que se viabilize tal serviço.  As duas maiores bandeiras do Brasil, Redecar e Cielo (ex-Visanet), possuem nada menos que 90% do mercado e claro, as movimentações de cartão. Daí entra as sacadas das empresas em oferecer ao pequeno, médio e até mesmo grandes lojistas o melhor serviço.  O banco Santander oferece o que eles chamam de Conta Integrada Santander e que oferece ao cliente  além de alguns descontos, uma maquininha para que não haja mais balas de troco. A motivação passa por vários meios, mas o ponto chave creio que seria a fidelização de clientes PJ.

A Redecard criou o seu “faturation” em que propõe que o lojista é um amigo e conta com vários serviços não somente a maquininha. Há até serviços como o Oi Paggo, em que o seu número de celular juntamente com uma senha se tornam um cartão de crédito. O aparelho recebe a confirmação da transação, em seguida.

Assim vemos uma variação nas ações das empresas. A Visa tem o foco voltado ao cliente final. Já o Santander e a Redecard apostam no lojista como principal cliente. Ideias como a do Santander é abocanhar uma fatia significativa de pequenas e médias empresas. Claro que de uma forma estruturada e compromissada, pois o foco são clientes que possuem estabelecimentos comerciais. Mas e a grande quantidade de comerciantes informais que temos por ai? Como é que podem ser atendidos? Dai surge oportunidades de diferenciação nos negócios, como o caso do “Camelô do Futuro”, que até tem site e já foi entrevistado pelo Jô Soares e pelo Gilberto Dimenstein.

Acostumado com essa tendência de São Paulo em poder pagar tudo no cartão, minha esposa e eu sofremos muito nas férias passada quando fomos para a Argentina. Por lá ainda existe uma certa resistência para que se use cartões como forma de pagamento, além do que, em várias lojas há desconto para que se pague com “efectivo” e há acrescimo no valor de 4% ou 5% caso o cliente insista em usar cartão. Claro, há vários bares, restaurantes em que um cartão internacional é “bienvenido”, mas os argentinos preferem usar dinheiro na hora de pagar.

Concordo com os argentinos em certos aspectos. Parece que no cartão de crédito há uma relação ainda mais fria do que o vil metal, que hoje é de papel,  sobre o balcão. Você não “sente” o dinheiro indo embora. “Quer parcelar em quantas vezes, senhor?” É uma das frases que muito ouço com pagamentos grandes. Para os menores, há o: “Débito ou crédito?” E assim a sua conta corrente vai sendo deteriorada. Sem esquecer que no final do mês você possa ter aquela agradável surpresa de ter o valor a pagar fora do orçamento.

Óbvio que existem vantagens em usar os serviços de cartões. Você pode acompanhar seus débitos/créditos, você tem uma organização das suas compras, você parcela valores que não caberiam em um único mês e por ai vai. Mas quem é que tem esse comportamento com relação a compra com cartão? Creio que seja uma parte bem mínima. Até existem sites que nos ajudam na organização com as finanças, cartões e tudo mais. É o caso de um site especializado da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o seu “Meu Bolso em Dia“. Há vários outros casos como o Gbolso. Porém, de nada adiantará as ferramentas se não formos disciplinados.

O que teremos no futuro? Dinheiro? Cartão? Celular? Acredito que ainda teremos os dois por um bom tempo. Enquanto reclamações sobre operadoras de cartão de crédito sejam recorde e insistam em prejudicar os clientes ou tivermos problemas sistemicos com os serviços prestados, como ocorreu no natal passado, sempre haverá aquela desconfiança a respeito do serviços prestados.

A vingança dos Nerds

Se você, assim como eu, nasceu nos anos 80 vai se lembrar que ser NERD não era lá uma coisa muito bem vista, seja pela sua própria mãe ou pela sociedade em geral. Ser nerd era ser o carinha que não pegava ninguém, era ser sempre o último a ser escolhido pra jogar futebol, era sentar na primeira fila pra tirar notas boas e manjar tudo de tecnologia, games, etc. Vamos combinar que nem muita coisa mudou.  Na época, o esteriótipo era tão pesado que até o cinema se valeu de uma “vingança” onde em uma disputa entre cérebro e músculos, os nerds saem vencedores na clássica sessão da tarde “A vingança dos nerds”. Lógico, esse não foi o único filme sobre nerds produzido na época, mas vamos deixar os outros guardados, por enquanto!!!

N.E.R.D como bem pesquisei e demorei horas pra encontrar, vem de um bando de Nerds, é claro! A expressão surgiu na década de 1950 no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e se referia aos cabeções de lá com as descrições previamente citadas. Mas também há quem diga que venha de Northern Electric Research and Development (Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia Northern Electric do Canadá, hoje Nortel), ou seja, se você trabalha na Nortel você é um autêntico nerd, ou não?!

O curioso é que com o avanço da tecnologia, com o surgimento de vários gadgets, que os nerds destrinçam como ninguém, e também com mudanças nos costumes da sociedade , o jogo se inverteu. “O nerd de hoje é o bom marido de amanhã” diz uma musiquinha xarope que caiu no gosto da galera do Programa do Faustão. Será que os nerds assistem Faustão?! Bem, de qualquer forma agora eles estão por cima. Seja em vídeo blogs, em séries de grande sucesso da tevê, na música ou se aventurando como empresários, o sucesso é inegável.

Alguns exemplos de nerds modernos que estão novamente proclamando uma certa “vingança”.

Jovem Nerd – Os caras começaram em 2002 e de lá pra cá não pararam de aumentar a “audiência” do blog. Com mais de 40 mil downloads semanais do seu Nerdcast e milhões, quem sabe até zilhões, de visitas em seu site, os malucos Alexandre Ottoni (@jovemnerd) e Deive Pazos (@azaghal) são os maiores representantes nerds do Brasil. No ano passado, foram eleitos blog do ano pela MTV. Só pra se ter ideia do poderio dos caras, em uma parceria com o amigo e escritor Eduardo Spohr, começaram uma editora própria, a NerdBooks, e com o lançamento do primeiro livro “A batalha do apocalipse”, escrito por Spohr há algum tempo, venderam mais de 4500 exemplares faturando por volta de R$220 mil. Sucesso absoluto, pois dedicaram e focaram toda a campanha no Nerdcast, que acompanhei muito bem, no site do Jovem Nerd, no twitter e também no hot site criado pra o lançamento. Esse é apenas um case de sucesso dentro de vários que já passaram pelas mãos dos caras. Entre camisetas que duvidam da existência do Acre ou até mesmo sorteio de prêmios patrocinados, os blogueiros levam a “Irmandade Nerd” ao delírio. Vale a pena conferir o blog do Jovem Nerd. Os caras são divertidíssimos e muito, muito inteligentes. Criatividade e inventividade é o que não faltam para eles. NerdPower!!!

The Big Bang Theory – uma das séries de maior sucesso nos Estados Unidos na última temporada foi com certeza o The Big Bang Theory. A trama mostras os amigos Leonard e Sheldon, dois físicos que possuem uma mente brilhante, mas são péssimos em se relacionar com garotas e diria até com a pessoas em geral. A história começa a mudar quando a bela Penny se muda para o apartamento ao lado. Leonard, que divide apartamente com Sheldon e não se importava em passar os sábados à noite jogando STOP com seus amigos que também possuem disfunções sociais Wolowitz e Koothrappali, vê em Penny um novo mundo de possibilidades, inclusive no amor…

Mayer Hawthorne – Ele é a cara nerd do soul americano. Seu álbum de estréia, A Strange Arrangement, foi considerado um dos melhores do ano pela crítica especializada, tanto aqui no Brasil quanto lá fora. Hawthorne traz um som moderno e ao mesmo tempo retrô. Bom, melhor que ficar explicando é ouvir.

Just Ain’t Gonna Work Out

My Green Eyed Love

PC Siqueira – O cara é colorista de quadrinhos e em fevereiro deste ano resolver criar um vlog. Simples assim. Com suas camisas xadrez, óculos fundo de garrafa modernoso e xícara de café na mão, os diários gravados de PC são diversão garantida. Recentemente foi entrevistado na MTV pelo Cazé e agora o vlog dele está por também. Falando de coisas comuns que acontecem no dia-a-dia dele e principalmente sobre coisas que detesta em sí mesmo e em outras pessoas, o vlog conquistou mais de 2 milhões de visitas. É um barato. Vale a pena conferir o vídeo em que ele fala sobre Shakespeare, cerveja e sexo (abaixo) e seguir o canal “Mas poxa vida” que PC criou pra publicar suas pérolas.

Ilustrês – Camisetas pra quem é nerd “descolado”. A loja criada por Tiago Mascarenhas e Beth Viveiros aposta em assuntos comentados na internet para criar suas estampas. Quem é nerd tem que ter uma!

Eu amo nerds e você?

Bem mais que modinha, tendência ou crença, a verdade é que os nerds voltaram pra ficar. Seja na internet, na t.v. ou do seu lado acessando o mais novo lançamento da Apple, lá estará ele. Num futuro não muito distante todos seremos nerds. Se é que já não somos de alguma maneira ou de outra. No fundo todos nós amamos os nerds.