Arquivo da categoria: Cinema

Há tanto tempo que te amo

Você não merece uma segunda chance. Não, não merece. E é exatamente por não merecer uma segunda chance que você pode criar todas as suas chances.

Confesso que uns dos filmes que mais gostei nos últimos tempos foi “Há tanto tempo que te amo“.

O filme se passa com a chegada de Justine (Kristin Scott Thomas) à casa de sua irmã mais nova, Léa, após um período de 15 anos na prisão. Justine parece não entender o porquê de tanto afeto pelo lado da irmã, uma vez que durante os anos de cárcere nunca havia recebido visitas.

Justine parece ainda estar enclausurada, pois percebe que a sociedade e mesmo sua família, na figura do marido de Léa, parecem não estar preparados para receber um ex-detento ao seu convívio.

Creio que o clima dado pelo diretor ao filme é o ponto chave da elegância da narrativa. O fluxo segue como um gelo que vai se derretendo aos poucos. Assim como Léa vai pouco a pouco conseguindo extrair da irmã os motivos que a levaram a parar na cadeia.

Numa sociedade em que se tem o hábito de se acusar alguém sem nem mesmo antes entender os motivos do crime, Justine tem muita dificuldade em refazer a sua vida. E quem disse a vida iria ser fácil, não é?! Devagar, porém, ela vai novamente ganhando a confiança da família, principalmente de sua encantadora sobrinha, e de novos amigos.

Claro que não vale contar os pontos chaves aqui, mas o interessante é que no decorrer da história percebemos, assim como Justine, que às vezes o próprio ato de se cometer um crime já é a maior punição.

Anúncios

O mágico

Tive a oportunidade de assistir ontem na 34a Mostra de Cinema de São Paulo ao fabuloso O Mágico (L´illusionniste), a nova animação de Sylvain Chomet, o  criador de As Bicicletas de Belleville.

A história é sobre um microcosmo decadente de uma profissão já quase abandonada. O mágico  francês vê sua arte dando lugar à cultura pop, representada por bandas de rock e cantoras de cabaret.

O filme conta história do mágico que viaja até ao interior da Escócia para fazer uma apresentação. No vilarejo, uma simples empregada se encanta pelos “truques” do mágico e resolve partir com ela para Edimburgo, onde vive.

Em Edimburgo, a pobre mocinha interiorana se fascina pela vida capitalista da cidade grande. E o mágico, coitado, tem que fazer mágica, literalmente, para agradar aos caprichos dela, pois em sua inocência, tudo o que o mágico lhe provia era realmente mágico.

Como a profissão de mágico está cada vez mais decadente, o que ele pode fazer? Então, vê-se dividido em tentar manter a carreira pela qual é apaixonado ou poder manter uma casa.

Paralelo à história do mágico e da moça temos outras criaturas também decadentes. Uma família de trapezistas formada por três irmãos, um palhaço beberrão à beira do suicídio e um velho ventríloquo.

É nesse clima quase caricato que Chome leva a história à frente as difíceis relações humanas e suas vicissitudes.  Há também a crítica à sociedade de consumo e a  publicidade. Tudo muito sutil nesse filme quase mudo, Chome faz um belo retrato dos nossos dias usando como pano de fundo a Escócia dos anos 60.

Será que os mágicos existem ou são somente ilusões?

Vale a pena.

Apenas o fim

Talvez eu tenha perdido o bonde do lançamento do filme na 32 Mostra de Cinema de São Paulo, onde faturou o prêmio de melhor filme eleito pelo juri popular, ou mesmo as exibições em alguns cinemas da cidade, porém um filme deste naipe é digno de post. E como é.

O filme foi escrito e dirigido por Matheus Souza que na época, 2008, tinha 20 anos e era estudante de cinema da PUC-RJ.

A película narra uma hora na vida dos namorados Tom (Gregório Duvivier) e Adriana (Érika Mader) estudantes de cinema da PUC-RJ. O filme se passa na própria PUC onde Adriana encontra Tom para se despedir. Adriana está decida a largar tudo: namorado, pais, amigos, faculdade para recomeçar a vida em um outro lugar. O namorado tenta entender o porquê da fuga da garota que diz que eles tem somente uma hora para estarem juntos antes dela ir embora.

Os dois começam um passeio pelo campus onde vão revivendo os momentos marcantes que passaram juntos, sobre os sonhos que tinham. E assim é o filme. Um grande diálogo entre as duas personagens.

Bem, se você está achando que isso não é suficiente para se fazer um grande filme, você mudará seu conceito. Os diálogos são o ponto forte do filme.  É comédia pura. E o melhor, da refinada. Grande parte das conversas são um grande mergulho na cultura pop mundial e nacional em que todos estamos inseridos e que muitas vezes nem damos muito atenção. Quem nunca se pegou discutindo sobre qual filme, música ou livro é o favorito da outra outra pessoa? Ou sobre mãos quentes X pés gelados. Ou sobre usar camisetas de Star Wars e óculos do avô?

Quem nunca discutiu se Transformers é o melhor filme do mundo? Melhor até que todos os Godard juntos?! Ou se Cortazar é melhor que Paulo Coelho? Ou por que todas as mulheres acham Chico ou Johnny Depp os homens mais bonitos do mundo? Ou se se falar de amor é ou não clichê?Chegam até a discutir a relação que há entre o amor e pizza ou amor e McDonald´s?

Com planos simples e sem grandes movimentos de câmera, que quase sempre está estática, é como se o expectador estivesse alí de bobeira, simplesmente ouvindo a história. Alguém cochichando ao lado e você, de repente, se vê interessadíssimo na conversa. O que acontece com filmes que parecem ter sido referências como “Alta Fidelidade” e “Antes do Amanhecer”.

Bem, o final é como todo filme de amor. Lógico que não vou citá-lo aqui, mas é parecida com aquela canção do Nando Reis, sabe?! “É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer”. Assim é o amor. Assim é a vida. Pois como diz o Dalai Lama, se case com alguém que você goste de conversar!

Mude sua visão sobre o Universo

Mudar sua visão sobre o universo. Esta é a promessa do novo filme da equipe de produções 3D da iMax. Famosa por trazer telas gigantes e experiências em 3D para os expectadores, agora a iMax traz “Hubble 3D“. Para terem ideia a tela de 300 metros quadrados do Shopping Bourbon Pompéia em São Paulo teve um custo aproximado de U$1.5 milhões de dólares.

Filmado por uma equipe de astronautas treinados para serem também cinegrafistas, “Hubble 3D” tem tudo para iniciar uma nova era no entretenimento popular. Narrado por Leonardo DiCaprio, o filme traz uma nova experiência para o usuário ao explorar os mistérios celestiais que nos cercam, além do cotidiano dos 7 astronaustas designados pela Nasa para reparar o poderoso telescópio. É quase como um documentário educacional sobre o funcionamento do telescópio, as missões cosmonautas e também sobre o que não vemos daqui de baixo.

Muitas dicas podem sem encontradas no site oficial do filme.  Somente em inglês, porém de fácil navegação, o site traz o trailer, fotos, papeis de paredes e curiosidades sobre a produção.

Infelizmente, teremos que esperar um pouco para vermos o filme por aqui, que deverá chegar somente no final do ano ou até mesmo no início de 2011.

É esperar para ver. Literalmente!

De volta para a criatividade – Parte I

Um dos filmes que fez a cabeça dos jovens na década de 1980 e continua com tal poder é “De volta para o Futuro” de Robert Zemeckis.

Como você deve saber, o filme conta sobre o jovem Marty Mcfly que viaja no tempo até 1955, época em que seus pais tinham sua idade, numa máquina criada pelo cientista maluco Dr. Brown, amigo de Marty.

O objetivo aqui é escrever sobre “De volta para o futuro” sim, mas pelo viés da criatividade.

O que é criatividade pra você? O que é ser criativo?

Todo mundo acredita que criatividade tem a ver com ser criativo, ter inventividade, talento e inteligência para criar as coisas do “nada”. Seria aquele dom provido ou adquirido de inventar ou refazer alguma coisa. Tenho que concordar, mas pra mim não é só isso. Creio que a  criatividade tem a ver, acima de tudo, com a resolução de um PROBLEMA! E tentarei esclarecer aqui porque acho “De volta para o Futuro” um caso de criatividade.

Essa não é uma sessão de auto-ajuda, muito menos uma receita de como ser criativo, pois isso não deve nem existir. Simplesmente fui encaixando as ideias que tenho sobre criatividade com o making of do filme.

1 – Idéia original

Como não pensei nisso antes?

O roteiro original de “De volta para o futuro” é de Bob Gale e Robert Zemeckis. Problema a ser resolvido: E se você pudesse viajar pelo tempo? Esse foi a ideia original que Bob e Robert não tiveram. Eles sempre foram fãs de obras como “A máquina do Tempo” de H.G. Wells e “Um conto de Natal” de Charles Dickens, os pioneiros em viajar no tempo.

Quando Bob Gale foi visitar seus pais em Saint Louis, Missouri e descobriu que seu pai tinha sido lider de classe revirando um livro escolar do colégio, se lembrou de quem era lider de sua classe, com quem não tinha muita afinidade. Ele se perguntou se teria sido amigo do seu pai se tivesse estudado com ele  e então Bob teve a ideia original de escrever sobre como seria ver e conviver com seus pais na época em que eram jovem.

As coisas nunca surgem do nada. Todo o “background” adquirido seja com o que lemos, discutimos, ouvimos e sentimos pode servir de inspiração para algo. É o que normalmente acontece, portanto, encha sua cabeça com tudo. Você pode recriar uma história para que ela seja ainda mais “original”.

2 – Problemas no roteiro

Ah, legal. Agora vamos viajar no tempo. Mas como será a máquina que nos transportará. Bob e Robert não sabiam exatamente. Sabiam que teria que ser inventada em uma garagem.

Criaram o Dr. Brown, que seria um veterano do Projeto Manhattan, tipo de sujeito que faria esse tipo de coisa em sua garagem. E a primeira ideia sobre a máquina do tempo era de ser uma câmara ou coisa do gênero. Logo pensaram em uma geladeira. Porém, descobriram que seria mais interessante, e prático para a história, se a máquina pudesse se locomover. Dai tiveram a ideia do DeLorean que veio para entrar numa piada do filme.

Quando Marty viaja pela primeira vez ele entra com o carro num celeiro de uma fazenda. E o garoto, filho do fazendeiro, está lendo um livro de ficção científica em que a capa estampa uma nave parecida com o Delorean. Pra quem não se lembra o Delorean levanta as portas na vertical, o que lhe dá um aspecto de nave realmente.

Como cita Bob Gale, o roteiro muda constantemente. Ele complementa que o que pode parecer uma ideia fantástica em um dia, pode não ser tão boa no outro. Ou você tem uma grande ideia hoje e amanhã tem uma ainda melhor.

Para que o Delorean pudesse viajar no tempo ele teria que gerar 1,21 GigaWatts e a ideia original era de que uma explosão nuclear produziria essa potência, disparando o capacitor de fluxo e levando Marty de 1955 para 1985. Para tanto Marty conduziria o carro até uma estação nuclear de testes que realizava experimentos no deserto. E então Dr. Brown forjaria uma permissão para eles entrarem na estação e usaria uma bomba atômica como combustível.  Até ai tudo bem. Porém os custos para se produzir uma sequência dessas custaria não menos de 1 milhão de dólares, o que era inviável para a produção em 1984.

E o que eles fizeram para resolver o problema? Criaram a ideia de um raio atingindo o relógio de Hill Valley e produzindo os famosos 1,21 GigaWatts. Encaixaram tudo tão maravilhosamente bem no roteiro que a sequência está muito mais dentro do contexto de tempo/espaço do que dirigir o DeLorean até o deserto por uma bomba.

Eu acredito que isso é parte do processo evolucionário de uma ideia: a mudança. É tudo parte da resolução de um grande problema.

3 – No tempo certo

Ao escreverem o roteiro, Robert Zemeckis conta para Steven Spielberg sobre o material. Steve gosta muito da história e topa na hora em realizar a produção, como havia feito com os dois filmes anteriores de Zemeckis, os quais não haviam sido muito bem sucedidos. Ressabiado, Zemeckis pensa que talvez não fosse o momento exato para o filme, pois um terceiro filme ruim poderia arruinar sua carreira como diretor e possivelmente não arrumaria mais emprego, o que Steve lhe dá toda razão.

Três anos mais tarde, após Zemeckis ser convidado por Michael Douglas a fazer “Tudo por uma Esmeralda” e por ter sido um grande sucesso, a ideia de realizar  “De volta para o futuro” parece boa para o estúdio, mas Zemeckis voltou para quem havia acreditado no roteiro desde o início, no caso, Spielberg.

Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Não atropele a ordem das coisas.

4 – Intuição e um pouco de esforço

Para a escolha do elenco, tanto Bob quanto Zemeckis dizem que foi uma questão de intuição. Crispin Glover, o pai McFly e Lea Thompson, a mãe, leram o roteiro várias vezes e se tornaram as personagens. Christopher Lloyd era pra eles o cientista maluco perfeito. Para criar o papel de cientista maluco, ele conta que usou o maestro Leopold Stokowski como inspiração, que com seus cabelos e gestos exagerados era como se conduzisse a orquesta do mundo, o que recria tão bem no filme.

Acima: Stoltz, o Marty que ninguém quis. Abaixo: Michael J. Fox, o cara!!!

Michael J. Fox foi o primeiro ator a ser considerado para interpretar Marty McFly. Porém ele estava no seriado “Family Ties” ou “Caras e Caretas” no Brasil, e por isso não estaria disponível para as gravações de “De volta para o Futuro”. O jeito foi realizar testes para encontrar novos atores e as gravações chegaram a ser adiadas, pois não encontravam ninguém capaz de levar o filme adiante. C. Thomas Howell e Eric Stoltz foram quem mais se sobressairam nos testes. Bob e Zemeckis haviam gostado de Thomas Howell, mas um diretor da MCA gostou tanto do teste de Stoltz e disse que estava convencido de que ele era o cara certo e se não fosse, começariam tudo de novo. Stoltz começou a gravar, mas para o diretor Zemeckis ele não tinha o tipo de humor necessário ao filme.  Entao eles voltaram para Michael J. Fox.

Michael leu o roteiro e ficou maluco com aquilo. Ele dizia que não precisaria dormir. Que daria um jeito de gravar o seriado e levaria o filme adiante. Uma semanas depois ele estava congelando às duas da manhã em Pomona, gravando com Christopher Lloyd e o DeLorean. Aos 22 anos, dormia de duas a três horas por dia por conta da jornada. Ele nem teve tempo de se preparar. Simplesmente começou a gravar.

Às vezes, as coisas das quais mais temos certeza na vida não temos como explicar. Simplesmente sentimos, ou melhor, pressentimos. Acredite em você  e dê uma chance para seus desejos. Não se leve tão a serio e perceba que as coisas começam a fluir.  Lembre-se que para onde estamos indo não precisamos de estrada!!!

Continua…

As confissões de Henry Fool

Vencedor do prêmio de melhor roteiro de Cannes em 1997, a obra de Hal Hartley não é uma grande realização cinematrográfica, mas é um excelente filme.

O filme narra a história de Simon Grimm, um lixeiro considerado retardado que vive com a mãe problemática e Fay, a irmã ninfomaníaca, na periferia de Nova Iorque.  Simon vivia se metendo em encrencas pelo bairro e não via muito sentido na sua vida. É quando surge Henry Fool. Um malandrão sem talento que estava fugindo de seu passado, não trabalhava e orgulhava-se de sua obra prima “As confissões de Henry Fool” a qual ainda não fora concluída… O figura vai morar nos fundos da casa dos Grimm e se torna amigo de Simon.

Henry presenteia Simon com um caderno de anotações  para colocar suas idéias alí. O gari que gosta da idéia, passa a noite toda escrevendo. Pela manhã ao ler as anotações de Simon, Henry sabe que está na presença de um grande escritor e incentiva-o a escrever cada vez mais.

Pouco a pouco a poesia de Simon Grimm vai se tornando conhecida no bairro, devido a exposição de alguns trechos na merceria local. Todos que a liam, de alguma forma, tinham suas vidas transformadas. Mas nem a todos agradava a poesia de Simon. Chamavam-no de gênio, transgressor, indecente e pornógrafo.

Enquanto Simon progredia com sua obra, Henry passava o dia na biblioteca paquerando meninhas e julgando o mundo e principalmente, as pessoas pequenas demais para a sua grande escrita.

Fay a pedido de Henry coloca trechos dos textos do irmão na internet que rapidamente ganham fama nacional. Nesse periodo, Henry engravida Fay e dois se casam. A fama de Simon estava grande demais para a perifferia e ele ruma para outra vida, deixando para trás a irmã Fay, o cunhado e o sobrinho recém-nascido.

Sete anos depois as vidas de Henry e Simon estão exatamente opostas da maneira que imaginam. Simon era um grande escritor americano e estava a caminho de ganhar o Prêmio Nobel de literatura. Henry, por sua vez, trabalhava como gari e passava as noites de bar em bar, sendo uma bela má influência para o filho.

Numa dessas noites, Henry acaba se mentendo em confusão com o vizinho. O que ninguém imaginava era que Simon estaria de volta para salvar o cunhado. E de uma maneira que ninguém acreditaria.

As confissões de Henry Fool é um filme sobre sonhos e frustrações. Sobre pessoas não conformadas com as situações e o quê fazem de tudo para mudá-las. Mas também sobre quem fica no meio do caminho e que se conformam com isso. O que acontence, às vezes, é que uma pequena faisca é mais que suficiente pra incendiar tudo ao redor.

Quando Simon vivia literalmente “no lixo”, aparece Henry para clarear sua vida e lhe mostrar um caminho alternativo, mesmo não sendo o esteriótipo do herói que poderia salvar uma vida. Isso acontece com vários personagens secundários, não citados aqui. E quando a história se inverte, é Simon desta vez que vem para salvar a Henry.

É uma grande reflexão sobre como lidamos com nossas vidas, nossos desejos, sonhos e ilusões e da maneira que podemos mudar isso, seja como quisermos.

500 dias com ela

500 dias com ela (500 days of  Summer) não é um filme de amor, é um filme sobre o amor.

Com essa premissa, o diretor Marc Webb conduz o espectador a uma verdadeira colcha de retalhos que é o romance entre Tom Hanse, interpretado por Joseph Gordon-Levitt (10 Coisas que odeio em você) e pela estonteante Zooey Deschanel (Sim, senhor), que interpreta Summer Finn. Deschanel é também cantora e possui algumas canções na trilha do filme.

Tom é um arquiqueto frustado com sua vidinha sem graça, escrevendo cartões comemorativos pra uma empresa não mais que mediocre. Descontente com o emprego e achando que nunca seria feliz de verdade vê surgir  Summer, a nova secretária do chefe. Tom se apaixona à primeira vista e pouco a pouco tenta se aproximar da garota.

Summer é a garota independente que gosta de ter a situação sob o seu controle. Mas pouco a pouco acaba se encantando com Tom.

Até aqui o filme se assemelha àquela velha fórmula de garoto encontra garota e se apaixonam. Mas é exatamente na narração que se encontra o diferencial do filme. A história é contada em uma ordem não cronológica e as passagens vão se encaixando conforme uma situação e outra se conectam.

E nas idas e vindas do amor do casal a história avança, recua, acontece. Entre um happy hour da empresa e outro, Tom vai se aproximando cada vez mais de Summer. Os dois começam a namorar, segundo Tom e a ser apenas bons amigos, de acordo com Summer. Brigas surgem, ciúmes e crises também. E como a moça é inflexível nos relacionamentos, Tom vez e outra acaba correndo aos conselhos da irmã Rachel, que deve ter não mais que 12 anos, mas é muito mais vivida em matéria de amor que o irmão.

Uma das minhas sequências preferidas do filme é quando Tom acorda pela manhã após a primeira noite de amor com Summer. Quem nunca se sentiu assim?

500 dias com ela é a prova de que um filme com temática romântica não precisa ser esvaziado de conteúdo.  E também a comprovação de que saber como contar uma história é tão importante quanto a história em sí.