Dead Man Walking

Ao sair do metrô, sentiu a chuva fina que caia no rosto. A vista estava um pouco embaçada, talvez fosse a neblina que cobria a cidade. Uma sensação estranha, de repente sentiu. Algo engraçado, como não se lembrara de já ter sentido. Talvez fosse o começo de uma gripe, pensou. Em sua direção, se aproximava uma figura estranha. Um sujeito de aspecto pálido, talvez fosse um mendigo ao se julgar pelo estado das roupas. Ao se cruzarem, o sujeito lhe interrompe a trajetória e lhe pede o isqueiro para acender o cigarro. Ao passar o acendedor para o sujeito, percebeu que sua mão estava fria por demais. Perguntou ao sujeito o por quê de ter as mãos tão gélidas. Enquanto acendia o cigarro disse: – Sabe que na semana passada, um trabalhador foi atropelado bem na esquina do metrô? Esse homem era eu. Por um instante acreditou que fosse uma brincadeira e pediu seu isqueiro de volta. O objeto caiu no chão e por mais que tentasse, não conseguia mais agarrá-lo. Ali, ajoelhado do chão, olhou para o alto e viu o rosto anêmico lhe encarando. Não se apresse. Você tem todo o tempo do mundo…

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Uma resposta para “Dead Man Walking

  1. Descobrindo mais uma faceta :). Gostei do microconto. Ou seria micro conto? Muito boa a condução da narrativa. Bjssss

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