Dinheiro Invisível e suas mazelas

Você já reparou na quantidade de cartões de crédito/débito existentes no mercado? Curioso que de uns tempos para cá parece que usar dinheiro, efetivamente dito, passou a ser demodé. Pode ser um movimento das grandes cidades devido a assaltos, furtos, onde a população e lojistas ficam assustados e passa a preferir um pedaço de plástico com chip do que várias notas. Seria, talvez, uma mudança real no comportamento do público, cativado pelas ações de várias operadoras de cartões existentes. Assim criamos um dinheiro que não enxergamos. Talvez ele nem exista, pois na minha conta só vejo números e nos comprovantes das máquininhas, também.

Pois bem. Aproveitando disso várias empresas resolveram aderir a moda do “dinheiro já era” que é o mote principal do comercial da Visa para a promoção do seu site Vai de Visa. O comercial da t.v. que é popularmente conhecido como “bala de troco” é muito criativo e mostra as aventuras de um destemido cidadão tentando pagar a padaria, o restaurante e a papelaria com dinheiro e suas “impossibilidades” ao receber o troco.  Ao fundo uma banda de bolero bem ao estilo mexicano canta um tema cômico, se não fosse trágico! O protagonista do comercial sofre uma verdadeira transformação ao usar Visa. O visual fica mais cool e ele fica mais simpático. SERÁ??? Quem já não passou por tais dificuldades na hora de pagar uma conta? Há até as lendas urbanas de pessoas que foram juntando as balinhas e depois pagaram a conta da padoca com elas.

Pensando do lado do negócio, há de se ter o esforço de bancos e bandeiras de cartão para que se viabilize tal serviço.  As duas maiores bandeiras do Brasil, Redecar e Cielo (ex-Visanet), possuem nada menos que 90% do mercado e claro, as movimentações de cartão. Daí entra as sacadas das empresas em oferecer ao pequeno, médio e até mesmo grandes lojistas o melhor serviço.  O banco Santander oferece o que eles chamam de Conta Integrada Santander e que oferece ao cliente  além de alguns descontos, uma maquininha para que não haja mais balas de troco. A motivação passa por vários meios, mas o ponto chave creio que seria a fidelização de clientes PJ.

A Redecard criou o seu “faturation” em que propõe que o lojista é um amigo e conta com vários serviços não somente a maquininha. Há até serviços como o Oi Paggo, em que o seu número de celular juntamente com uma senha se tornam um cartão de crédito. O aparelho recebe a confirmação da transação, em seguida.

Assim vemos uma variação nas ações das empresas. A Visa tem o foco voltado ao cliente final. Já o Santander e a Redecard apostam no lojista como principal cliente. Ideias como a do Santander é abocanhar uma fatia significativa de pequenas e médias empresas. Claro que de uma forma estruturada e compromissada, pois o foco são clientes que possuem estabelecimentos comerciais. Mas e a grande quantidade de comerciantes informais que temos por ai? Como é que podem ser atendidos? Dai surge oportunidades de diferenciação nos negócios, como o caso do “Camelô do Futuro”, que até tem site e já foi entrevistado pelo Jô Soares e pelo Gilberto Dimenstein.

Acostumado com essa tendência de São Paulo em poder pagar tudo no cartão, minha esposa e eu sofremos muito nas férias passada quando fomos para a Argentina. Por lá ainda existe uma certa resistência para que se use cartões como forma de pagamento, além do que, em várias lojas há desconto para que se pague com “efectivo” e há acrescimo no valor de 4% ou 5% caso o cliente insista em usar cartão. Claro, há vários bares, restaurantes em que um cartão internacional é “bienvenido”, mas os argentinos preferem usar dinheiro na hora de pagar.

Concordo com os argentinos em certos aspectos. Parece que no cartão de crédito há uma relação ainda mais fria do que o vil metal, que hoje é de papel,  sobre o balcão. Você não “sente” o dinheiro indo embora. “Quer parcelar em quantas vezes, senhor?” É uma das frases que muito ouço com pagamentos grandes. Para os menores, há o: “Débito ou crédito?” E assim a sua conta corrente vai sendo deteriorada. Sem esquecer que no final do mês você possa ter aquela agradável surpresa de ter o valor a pagar fora do orçamento.

Óbvio que existem vantagens em usar os serviços de cartões. Você pode acompanhar seus débitos/créditos, você tem uma organização das suas compras, você parcela valores que não caberiam em um único mês e por ai vai. Mas quem é que tem esse comportamento com relação a compra com cartão? Creio que seja uma parte bem mínima. Até existem sites que nos ajudam na organização com as finanças, cartões e tudo mais. É o caso de um site especializado da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o seu “Meu Bolso em Dia“. Há vários outros casos como o Gbolso. Porém, de nada adiantará as ferramentas se não formos disciplinados.

O que teremos no futuro? Dinheiro? Cartão? Celular? Acredito que ainda teremos os dois por um bom tempo. Enquanto reclamações sobre operadoras de cartão de crédito sejam recorde e insistam em prejudicar os clientes ou tivermos problemas sistemicos com os serviços prestados, como ocorreu no natal passado, sempre haverá aquela desconfiança a respeito do serviços prestados.

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2 Respostas para “Dinheiro Invisível e suas mazelas

  1. Buenos días! Pra variar, um ótimo post, hein? Saber usar o cartão, esse é o segredo para não entrar no vermelho. Porque, se no débito vc sabe que a conta já foi paga, no crédito vc só tem essa sensação. Em geral as pessoas se atrapalham com isso e se enforcam. Li em algum lugar que as escolas em SP darão aulas de educação financeira para seus alunos. A idéia é ótima, basta saber se irá vingar. O cartão de débito é muito mais prático, sem dúvida, mas estive em duas lojas por aqui que me ofereceram desconto de 5% para pagamento em dinheiro… as txs cobradas pelas administradoras não valem a pena para alguns comerciantes.
    Bjsssssss

  2. Pingback: Os números de 2010 – Primeiro ano de Blog | Nove de Março

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