Sobre Hanson e a cidade de São Paulo

Era 1997, eu então com 15 anos fazia minha segunda visita à capital paulista. A primeira havia sido há dois anos numa excursão para o Playcenter.  [Não riam] Quando se é do interior, São Paulo é ainda maior. Tudo parecia um emaranhado de prédios, carros e pessoas. Sempre aos milhares, milhões.

Uma das coisas que me chamou atenção na visita foi que em várias rádios sintonizadas no carro tocavam uma musiquinha pop grudenta que era mais ou menos assim: “ummm bop dap dap tchuru, dubirô, bap du bop, dap dap, du…”. Quando se tem 15 anos e se vive cercado por música sertaneja, ouvir aquela música era ,na minha ingênua concepção, como ouvir São Paulo. Era como conhecer um mundo novo, algo desconhecido. E claro, a primeira impressão permanece. Então São Paulo, na minha segunda visita, tinha cara de “mmm bop”.

Voltando às Minas Gerais, descobri que aquela música era de uma banda chamada Hanson. A Banda composta por três irmãos cabeludos, mais ou menos da minha idade era a sensação “pop teen” da época. Se eu fosse menina, com certeza, teria um poster deles no meu quarto e faria promessas de me casar com algum deles.  Graças a Deus não chegou a tanto. Fiquei no máximo em comprar o cd. A música de sucesso era essa daqui, ó:

Passaram os anos, eu cresci, São Paulo se agigantou ainda mais e os Hanson, que também cresceram, sumiram depois de mais alguns hits e de alguns discos pop não vendáveis. Eis que para minha surpresa, hoje em dia não tão grata assim, os Hanson estão de volta. Agora sem o cabelão, com a voz diferente e a aparência quase irreconhecível, percebe-se que a sonoridade também mudou bastante.

Hoje eles já não tem a cara de São Paulo pra mim.  O menino que veio do interior hoje é casado e já vive aqui há quase 10 anos e a cara de São Paulo hoje tem outros aspectos. São músicas, lugares, pessoas. São Paulo já não me parece tão grande comona época em que estava só de passagem. Morar é diferente. É criar o seu cantinho. Talvez eu esteja enganado e São Paulo seja ainda maior. Há tantas coisas bem na nossa cara e só reparamos quando mudamos de ponto de vista.

Para terem uma ideia essa é a vista que tenho da cidade pela minha janela.


E hoje São Paulo, assim como eu, já não temos aquele menino de 15 anos que gostava de Hanson.

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