Aspectos da Publicidade contemporânea no Brasil

A pedido do meu professor de Planejamento de Campanha, meu grupo e eu tivemos que bolar uma breve reflexão sobre aspectos da publicidade de hoje no Brasil que julgassemos importantes.  Errados ou não, seguimos pelo caminho do distancimento do produto como foco da campanha e como o professor gostou, transcrevo o texto abaixo:

Para que possamos analisar a publicidade contemporânea, vamos regressar um pouco no tempo e entender como ela tem se comportado nos últimos tempos. Junto com uma quantidade cada vez maior de merchadising em reality show, propagandas de cunho ambiental e alto investimento em mídias digitais, o que mais nos chama atenção é ver várias campanhas em que há um breve distanciamento entre o produto ou serviço, ou até mesmo marca, veiculado na transmissão da mensagem.

Diferentemente do que ocorria na década de 1980, havia o predomínio das chamadas agency house – agências onde todo o departamento de comunicação é interno, tudo é criado de dentro pra fora –, hoje as agências pensam junto com o cliente, tanto no planejamento estratégico/mercadológico e também comandam várias etapas de comunicação dele.

Com as agency houses, as agências eram responsáveis pela criação de anúncios, basicamente. Cobravam caro por serem criativas e na maioria das vezes o produto era o foco das campanhas. Estavam falando com um consumidor que muitas vezes precisava entender o que se vendia e se enxergaria na esfera social da campanha.

Hoje em dia as mudanças no comportamento do consumidor fizeram com que as empresas se preocupassem em enaltecer o papel do cliente na campanha desenvolvida, ou seja, o foco se inverteu. O produto fica um pouco afastado da mensagem, enfatiza-se o papel do cliente e sua vida cotidiana que pode ser melhorada.

Com o avanço de orgãos de defesa do consumidor e também da internet, hoje temos um consumidor mais consciente de sua variedade de opções e do seu poder de escolha, o que por vezes facilita, pois não há tanta necessidade de se explicar produtos e funcionalidades como antes.

Vemos isso claramente em comerciais televisivos como na nova campanha da McCann Erickson para o novo Chevrolet Classic. A campanha “Sua vida. Suas conquistas. Seu sedã”, procura ressaltar a experiência de passar por novas situações de emoção e conquista. A campanha tem dois filmes de 90, 60 e 30 segundos. O filme “Noiva” mostra o pai e filha no trajeto para a igreja. No final da conversa o pai confidencia a filha que o carro que dirigia é um presente para ela.

Já o filme “Dialogo” apresenta o pai e o filho a caminho do vestibular. O pai dialogo com o filho que a vida é como dirigir. Ora se acelera pra passar obstáculos, outra é preciso frear e até mesmo parar. Mas que é preciso seguir para se chegar ao fim da estrada.

Outra campanha em que se vê claramente o cliente como foco da comunicação é na criação da Talent para o Banco Santander. Os clientes famosos, tais como Walter Mancini, dono do renomado restaurante paulistano Famiglia Mancini e também José Júnior, criador do Afroreggae, são convocados a falar sobre a experiência de ter uma idéia de como melhor a sua vida, sua cidade, sua comunidade. Desta forma, o banco Santander fica como “coadjuvante” e parceiro. Toda a ação inicial, no caso a idéia, fica com o cliente. Assim é a campanha do “Vamos fazer juntos?” engloba tanto a junção Banco Real + Santander quanto o conceito de parceria num projeto com o cliente.

Claramente podemos destacar três características principais em tais campanhas:

– Função emotiva da linguagem: A mensagem centra-se nas opiniões, sentimentos e emoções do emissor.

– Textos longos e muito bem escrito

– Pode-se substituir o produto/serviço ou marca anunciada por outra da categoria que não se perde o contexto.

Nem melhor, nem pior. A publicidade no Brasil não passa por crise de identidade ou ausência de criatividade. Nos anos 80 tinhamos produtos na frente. Hoje temos o cliente. Não passamos e quem sabe não precisamos de revolução. Estamos, sim, passando por uma evolução. E só o tempo e os consumidores dirão se estamos certos ou errados.

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3 Respostas para “Aspectos da Publicidade contemporânea no Brasil

  1. Essa nem é minha praia, mas adoro dar pitacos, vc sabe. Gosto muito da campanha da GM e do Santander e acho que em ambas esse lado emotivo e com foco no cliente, como vc observou, agrega um valor inestimável para a instituição. Hoje, tudo é muito acelerado e nas duas campanhas parece que a gente é “convidado” a parar um pouco e a refletir com eles, não sobre o produto, mas sobre a vida e nossas ações. Aliás, as ações do “Vamos fazer juntos” foram ótimas e me parece que mudaram bastante a imagem do Santander.
    Adorei o texto! E seu blog tá muito bom, meu amigo. Bjsssssss

  2. Oi, Déa!
    É exatamente esse o ponto!
    A ideia do convite a participar é excelente. Pois no fundo todos querem que o cliente se identifique e passe a amar as marcas, criando uma relação profunda e duradoura entre a instituição e os consumidores.
    Grande bjo

  3. Pingback: Os números de 2010 – Primeiro ano de Blog | Nove de Março

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