De volta para a criatividade – Parte I

Um dos filmes que fez a cabeça dos jovens na década de 1980 e continua com tal poder é “De volta para o Futuro” de Robert Zemeckis.

Como você deve saber, o filme conta sobre o jovem Marty Mcfly que viaja no tempo até 1955, época em que seus pais tinham sua idade, numa máquina criada pelo cientista maluco Dr. Brown, amigo de Marty.

O objetivo aqui é escrever sobre “De volta para o futuro” sim, mas pelo viés da criatividade.

O que é criatividade pra você? O que é ser criativo?

Todo mundo acredita que criatividade tem a ver com ser criativo, ter inventividade, talento e inteligência para criar as coisas do “nada”. Seria aquele dom provido ou adquirido de inventar ou refazer alguma coisa. Tenho que concordar, mas pra mim não é só isso. Creio que a  criatividade tem a ver, acima de tudo, com a resolução de um PROBLEMA! E tentarei esclarecer aqui porque acho “De volta para o Futuro” um caso de criatividade.

Essa não é uma sessão de auto-ajuda, muito menos uma receita de como ser criativo, pois isso não deve nem existir. Simplesmente fui encaixando as ideias que tenho sobre criatividade com o making of do filme.

1 – Idéia original

Como não pensei nisso antes?

O roteiro original de “De volta para o futuro” é de Bob Gale e Robert Zemeckis. Problema a ser resolvido: E se você pudesse viajar pelo tempo? Esse foi a ideia original que Bob e Robert não tiveram. Eles sempre foram fãs de obras como “A máquina do Tempo” de H.G. Wells e “Um conto de Natal” de Charles Dickens, os pioneiros em viajar no tempo.

Quando Bob Gale foi visitar seus pais em Saint Louis, Missouri e descobriu que seu pai tinha sido lider de classe revirando um livro escolar do colégio, se lembrou de quem era lider de sua classe, com quem não tinha muita afinidade. Ele se perguntou se teria sido amigo do seu pai se tivesse estudado com ele  e então Bob teve a ideia original de escrever sobre como seria ver e conviver com seus pais na época em que eram jovem.

As coisas nunca surgem do nada. Todo o “background” adquirido seja com o que lemos, discutimos, ouvimos e sentimos pode servir de inspiração para algo. É o que normalmente acontece, portanto, encha sua cabeça com tudo. Você pode recriar uma história para que ela seja ainda mais “original”.

2 – Problemas no roteiro

Ah, legal. Agora vamos viajar no tempo. Mas como será a máquina que nos transportará. Bob e Robert não sabiam exatamente. Sabiam que teria que ser inventada em uma garagem.

Criaram o Dr. Brown, que seria um veterano do Projeto Manhattan, tipo de sujeito que faria esse tipo de coisa em sua garagem. E a primeira ideia sobre a máquina do tempo era de ser uma câmara ou coisa do gênero. Logo pensaram em uma geladeira. Porém, descobriram que seria mais interessante, e prático para a história, se a máquina pudesse se locomover. Dai tiveram a ideia do DeLorean que veio para entrar numa piada do filme.

Quando Marty viaja pela primeira vez ele entra com o carro num celeiro de uma fazenda. E o garoto, filho do fazendeiro, está lendo um livro de ficção científica em que a capa estampa uma nave parecida com o Delorean. Pra quem não se lembra o Delorean levanta as portas na vertical, o que lhe dá um aspecto de nave realmente.

Como cita Bob Gale, o roteiro muda constantemente. Ele complementa que o que pode parecer uma ideia fantástica em um dia, pode não ser tão boa no outro. Ou você tem uma grande ideia hoje e amanhã tem uma ainda melhor.

Para que o Delorean pudesse viajar no tempo ele teria que gerar 1,21 GigaWatts e a ideia original era de que uma explosão nuclear produziria essa potência, disparando o capacitor de fluxo e levando Marty de 1955 para 1985. Para tanto Marty conduziria o carro até uma estação nuclear de testes que realizava experimentos no deserto. E então Dr. Brown forjaria uma permissão para eles entrarem na estação e usaria uma bomba atômica como combustível.  Até ai tudo bem. Porém os custos para se produzir uma sequência dessas custaria não menos de 1 milhão de dólares, o que era inviável para a produção em 1984.

E o que eles fizeram para resolver o problema? Criaram a ideia de um raio atingindo o relógio de Hill Valley e produzindo os famosos 1,21 GigaWatts. Encaixaram tudo tão maravilhosamente bem no roteiro que a sequência está muito mais dentro do contexto de tempo/espaço do que dirigir o DeLorean até o deserto por uma bomba.

Eu acredito que isso é parte do processo evolucionário de uma ideia: a mudança. É tudo parte da resolução de um grande problema.

3 – No tempo certo

Ao escreverem o roteiro, Robert Zemeckis conta para Steven Spielberg sobre o material. Steve gosta muito da história e topa na hora em realizar a produção, como havia feito com os dois filmes anteriores de Zemeckis, os quais não haviam sido muito bem sucedidos. Ressabiado, Zemeckis pensa que talvez não fosse o momento exato para o filme, pois um terceiro filme ruim poderia arruinar sua carreira como diretor e possivelmente não arrumaria mais emprego, o que Steve lhe dá toda razão.

Três anos mais tarde, após Zemeckis ser convidado por Michael Douglas a fazer “Tudo por uma Esmeralda” e por ter sido um grande sucesso, a ideia de realizar  “De volta para o futuro” parece boa para o estúdio, mas Zemeckis voltou para quem havia acreditado no roteiro desde o início, no caso, Spielberg.

Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Não atropele a ordem das coisas.

4 – Intuição e um pouco de esforço

Para a escolha do elenco, tanto Bob quanto Zemeckis dizem que foi uma questão de intuição. Crispin Glover, o pai McFly e Lea Thompson, a mãe, leram o roteiro várias vezes e se tornaram as personagens. Christopher Lloyd era pra eles o cientista maluco perfeito. Para criar o papel de cientista maluco, ele conta que usou o maestro Leopold Stokowski como inspiração, que com seus cabelos e gestos exagerados era como se conduzisse a orquesta do mundo, o que recria tão bem no filme.

Acima: Stoltz, o Marty que ninguém quis. Abaixo: Michael J. Fox, o cara!!!

Michael J. Fox foi o primeiro ator a ser considerado para interpretar Marty McFly. Porém ele estava no seriado “Family Ties” ou “Caras e Caretas” no Brasil, e por isso não estaria disponível para as gravações de “De volta para o Futuro”. O jeito foi realizar testes para encontrar novos atores e as gravações chegaram a ser adiadas, pois não encontravam ninguém capaz de levar o filme adiante. C. Thomas Howell e Eric Stoltz foram quem mais se sobressairam nos testes. Bob e Zemeckis haviam gostado de Thomas Howell, mas um diretor da MCA gostou tanto do teste de Stoltz e disse que estava convencido de que ele era o cara certo e se não fosse, começariam tudo de novo. Stoltz começou a gravar, mas para o diretor Zemeckis ele não tinha o tipo de humor necessário ao filme.  Entao eles voltaram para Michael J. Fox.

Michael leu o roteiro e ficou maluco com aquilo. Ele dizia que não precisaria dormir. Que daria um jeito de gravar o seriado e levaria o filme adiante. Uma semanas depois ele estava congelando às duas da manhã em Pomona, gravando com Christopher Lloyd e o DeLorean. Aos 22 anos, dormia de duas a três horas por dia por conta da jornada. Ele nem teve tempo de se preparar. Simplesmente começou a gravar.

Às vezes, as coisas das quais mais temos certeza na vida não temos como explicar. Simplesmente sentimos, ou melhor, pressentimos. Acredite em você  e dê uma chance para seus desejos. Não se leve tão a serio e perceba que as coisas começam a fluir.  Lembre-se que para onde estamos indo não precisamos de estrada!!!

Continua…

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Uma resposta para “De volta para a criatividade – Parte I

  1. UM DOS MELHORES FILMES DA MINHA INFÂNCIA…INESQUECIVEL…PENA QUE NÃO SE FAZ MAIS FILMES COM ESSA ESSÊNCIA. COMO NA MINHA CIDADE NÃO TINHA CINEMA A GENTE TINHA QUE ESPERAR UM TEMPÃO ATÉ CHEGAREM NA LOCADORA OU PASSAR NA TV, COISA DE ANOS…BOM DEMAIS!

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