As confissões de Henry Fool

Vencedor do prêmio de melhor roteiro de Cannes em 1997, a obra de Hal Hartley não é uma grande realização cinematrográfica, mas é um excelente filme.

O filme narra a história de Simon Grimm, um lixeiro considerado retardado que vive com a mãe problemática e Fay, a irmã ninfomaníaca, na periferia de Nova Iorque.  Simon vivia se metendo em encrencas pelo bairro e não via muito sentido na sua vida. É quando surge Henry Fool. Um malandrão sem talento que estava fugindo de seu passado, não trabalhava e orgulhava-se de sua obra prima “As confissões de Henry Fool” a qual ainda não fora concluída… O figura vai morar nos fundos da casa dos Grimm e se torna amigo de Simon.

Henry presenteia Simon com um caderno de anotações  para colocar suas idéias alí. O gari que gosta da idéia, passa a noite toda escrevendo. Pela manhã ao ler as anotações de Simon, Henry sabe que está na presença de um grande escritor e incentiva-o a escrever cada vez mais.

Pouco a pouco a poesia de Simon Grimm vai se tornando conhecida no bairro, devido a exposição de alguns trechos na merceria local. Todos que a liam, de alguma forma, tinham suas vidas transformadas. Mas nem a todos agradava a poesia de Simon. Chamavam-no de gênio, transgressor, indecente e pornógrafo.

Enquanto Simon progredia com sua obra, Henry passava o dia na biblioteca paquerando meninhas e julgando o mundo e principalmente, as pessoas pequenas demais para a sua grande escrita.

Fay a pedido de Henry coloca trechos dos textos do irmão na internet que rapidamente ganham fama nacional. Nesse periodo, Henry engravida Fay e dois se casam. A fama de Simon estava grande demais para a perifferia e ele ruma para outra vida, deixando para trás a irmã Fay, o cunhado e o sobrinho recém-nascido.

Sete anos depois as vidas de Henry e Simon estão exatamente opostas da maneira que imaginam. Simon era um grande escritor americano e estava a caminho de ganhar o Prêmio Nobel de literatura. Henry, por sua vez, trabalhava como gari e passava as noites de bar em bar, sendo uma bela má influência para o filho.

Numa dessas noites, Henry acaba se mentendo em confusão com o vizinho. O que ninguém imaginava era que Simon estaria de volta para salvar o cunhado. E de uma maneira que ninguém acreditaria.

As confissões de Henry Fool é um filme sobre sonhos e frustrações. Sobre pessoas não conformadas com as situações e o quê fazem de tudo para mudá-las. Mas também sobre quem fica no meio do caminho e que se conformam com isso. O que acontence, às vezes, é que uma pequena faisca é mais que suficiente pra incendiar tudo ao redor.

Quando Simon vivia literalmente “no lixo”, aparece Henry para clarear sua vida e lhe mostrar um caminho alternativo, mesmo não sendo o esteriótipo do herói que poderia salvar uma vida. Isso acontece com vários personagens secundários, não citados aqui. E quando a história se inverte, é Simon desta vez que vem para salvar a Henry.

É uma grande reflexão sobre como lidamos com nossas vidas, nossos desejos, sonhos e ilusões e da maneira que podemos mudar isso, seja como quisermos.
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Uma resposta para “As confissões de Henry Fool

  1. Estava cansado, sonolento, mas o filme, exibido na TV Brasil (30-09-2012) me cativou e eu não consegui desligar o tv, nem dormir. Emocionante a história e brilhante a possibilidade de, mesmo sem os recursos “hollywoodianos” se fazer cinema com qualidade e perspectiva de provocar, estimular, incitar a reflexão, o pensamento.

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